Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

O legado da Borboleta

Havia um menino pequeno. Ele brincava muito, só, dentre galhos de goiabeira. Branca e vermelha. Duas árvores.
Saciava-se em suas brincadeiras e deliciava-se ao tocar o caule, perceber as cores vivas das folhas e frutas. E, na primavera, cheirava as flores. Branquinhas, enclausuradas em uma casca dura verde forte. Mas sempre lindas.
O menino, noutras vezes, subia no galho mais alto – a central de controle da nave-árvore – e ficava ali, guiando a frondosa para lugar algum. Entre viagens estelares, corridas contra os inimigos, raios lazer e mísseis incríveis, ele olhava para o longe. Como o mundo era grande! Muito mais do que aquele pedaço (que ele já julgava gigantesco) de terra que era o quintal da sua casa...
Descia, então, da goiabeira para tomar café. O sabor do café com leite somado ao pão com margarina era, pelo menos ao seu paladar, algo divino. Saciado, voltava ao solitário mundo repleto de sonhos.
Certo dia o menino achou algo que não havia visto antes. Era um animalzinho pequeno, peludinho, mas muito, muito bonito. Como havia sido alertado que exsistiam muitos insetos que podiam ser nocivos, chamou a mãe para ver.
-Isso é uma taturana! Ela queima! Não põe a mão nisso, não.
E ia atentar contra a vida da pobre. Ele, porém, interveio e impediu-a de acabar com a vida do pobre insetinho....
Aquele dia marcou-se em sua memória e, aos poucos, novas lagartas-taturana surgiam. Ele perdia-se em conjecturas: Para que serve a taturana? Porque ela queima? Como é que queima? Pensava e olhava-a atentamente, muito de perto, reparando nas suas cerdas peludas, cores (algumas eram vermelho-preto-amareladas, mas ele gostava mais das alvas). Sua incansável curiosidade levou-o à uma descoberta fenomenal: a taturana queimava pelas cerdas! Pelos Pêlos.
Maravilha! – pensou – Então posso pegá-la na mão por baixo!
Mal aguardava o dia seguinte. Ia experimentar sua tese. Chegou-se aos pés da gigante goiabeira. Procurou, afoito, as taturanas brancas. E lá estava uma! Alva! Linda! Tranquila....
Botou sua pequena mão no curso dela. A pequena estranhou o “terreno” macio que encontrara. Testou-o com suas antenas sensíveis e, finalmente, botou as patinhas frontais na pele jovem.
Foi subindo, subindo, pés ante pés, meio desconfiada. Mas, logo, passou a caminhar tranqüila na mão do menino, agora maravilhado.
Ele a olhava caminhando, em ondas, pela sua pele. E, quando a superfície de uma mão acabava, ele botava a outra no curso, a lagarta subia nela, e continuava caminhando... caminhando... Ele podia sentir cada passo dela, como uma cócegas, por toda sua pele. Não havia medo nenhum nos olhos ou mesmo nas atitudes do garoto. Somente uma sensação de beleza, de que uma criação tão bela, tão meiga, tão perigosa, tornara-se sua amiga.
Foi um dia lindo. Sua mente iluminou-se com novos horizontes! Nova vida foi criada dentro dele e agora, o menino solitário que vivia em um mundo de cores, imaginação, histórias fantásticas, tinha uma nova “amiga”. Aliás, muitas novas amigas.
Anos passaram. O menino já era um homem feito. Ainda imaginava muito. Ainda vivia solitário. Não havia tanta felicidade nele, como na infância, mas ainda maravilhava-se com pequenas coisas e coisas pequenas...
Borboletas, agora, o fascinavam. Criaturinhas lindas, belas, necessárias. Quando olhava para uma, sentia-se um pouco como na infância: maravilhado.
Um dia, sentado no seu computador, numa tarde qualquer, tocou o teclado com maciez e digitou, num site de busca, “borboleta”.
A definição da enciclopédia virtual atingiu-o como um raio! Uma das formas precedentes àquela criatura que agora o fascinava era, justamente, a taturana!
Todos dizem que a metamorfose da lagarta em borboleta é algo que vai do dantesco ao mágico, do feio (lagarta) para o belo (borboleta). Mas há tanta beleza nessa criatura, letal, mas linda...
Fases. Somente fases. Etapas de vida, ciclos que se completam. E são todos belos. E fim.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Os gatos são, mesmo, animais impressionantes. Este fim de semana cui até a casa de um amigo meu e, enquanto ríamos dos acasos, um gato branco apareceu no muro, miando lascivamente. Fui até ele (é um impulso incontrolavel... quando vejo um gato TENHO que afagá-lo e ir ter com ele) e o bichano deixou-me chegar perto. Espere... deixar não é o verbo certo. Ele PERMITIU-ME a aproximação.

Aí ficou, num muro pré moldado finíssimo (parecia uma ginasta sobre o )botou um braço de um lado e o outro do outro e ficou ali, só recebendo o carinho que queria.

Os gatos são assim: cedem espaço quando querem. Sentem prazer quando querem. Matam e comem quando querem. Amam quando querem. E, igualmente, ignoram sempre que sua vontade "real" (porque sentem-se como reis) manda.

Hum... quero mesmo ter a motivação dos cães e essa realeza dos felinos.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Muita hora nesta calma... ainda estou aquecendo para escrever. Em vários sentidos, inclusive. Há várias pessoas que não sabem do meu blog e outras - que o tempo e o descaso - não leem mais por aqui.

Well...

Doses homeopáticas, então. Vou começar devagar. Uma vez por semana. Duas quem sabe.

Então, amigos, apareçam!

Sexta-feira, Julho 04, 2008

E chega a hora, sem demora.
Aguardo, com mãos suando
o momento de olhar nos olhos
de tocar a pele, nunca antes tocada
de ouvir a voz
de respirar seu doce perfume....

aguardo, dentro da tarde vazia
minutos são horas
momentos são eternidade

e, por segundos eternos a vejo
diferente
madura
linda, como sempre foi

seus olhos encontram os meus
suas mãos me tocam as mãos
sua voz acaricia-me

o tempo passa rápido.
acaba

um abraço tão próximo quanto o coração
tres beijos: respeito, carinho e amizade

Um coração feliz. Dois plenos de luz.

Ainda respiro seu perfume em minhas mãos...

Curitiba, 07 de janeiro de 2008 - 22h40

Sexta-feira, Junho 13, 2008

O rapaz encostou-se no poste, daquela mesma esquina de todos os dias, dos mesmos dias de sempre. Já era tarde e o ar cheirava a calma, sem a atribulação dos carros que, afoitos, passavam, trabalhavam e passeavam.

Chegou a loira. Era uma moça corpulenta, de rosto bonito e sorriso jovial, quase imaturo. Seus olhos eram dois glóbulos castanhos, mas com ranhuras negras, que tornava-os profundos e intensos. Ali dentro daquela retina jazia a efervercência e uma grandiosa necessidade de ser amada, de viver intensamente e descobrir mundos novos.

Seus olhos tocaram-se e, num instante, comunicaram-se. Ele achegou-se a ela, ofereceu-lhe um sorriso sincero de amor e carinho, abrochoou-lhe um beijo na face esquerda e, num gesto singelo, despediu-se dela. E ela foi-se, na imensidão daquela noite, que nada mais era que que mais uma noite.

Ficou só, encostado no poste, de testa franzida e pensamento fugidio. Seus mecanismos mentais perdiam-se e transformavam-se em universo... ou em vazio, talvez

O pensamento rompeu-se, súbito. Era aquele sorriso que ele conhecia muito bem. A japonesa, baixinha e cheinha que, de semblante iluminado, tocava-lhe o braço e abraçava-o calorosamente.

Aquele momento era único, como todos os outros. Era mergulhar, novamente, dentro da retina desta outra e transformar imagem em sentimentos e sensações. Refletia dentro da retina dela e vice-versa. Olhos brilhavam.

A pupila desta era diferente, cheia de tons castanho-claro-esverdeados. Tinha uma certa "maciez" (se é que isso é possível dentro dos olhos), uma clara sinceridade e uma força de paixão sem fronteiras.

Ele tocou-lhe o rosto, com suavidade, e beijou-lhe a testa - o beijo do respeito - e, com outro gesto rápido e sutil, despediu-se dela. Ela, também, foi-se. E seus olhos prometiam voltar, com um semblante levemente tristonho pela solidão do rapaz e a sua própria. Em seguida, trasformou-se em noite escura.

Lá se foi o pensamento dele, de novo. Vagava, iluminado pela luz do rosto desta última, pela melancolia dos seus gestos e pela fome intensa de carinho que tinha.

Olhou para os dois lados da rua, para o céu e para as pessoas que, distraídas ou retraídas, "transeuntavam". TOdos o interessavam. E eram muitos! Olhava o semblante de uma moça, a firmeza dura da expressão do vigilante, as curvas inesquecíveis da senhora bem cuidada e, dentre tantas pessoas, reconheceu uma.

E ela veio à sua presença. Meia idade, rosto bonito e mãe de família. Reafirmou o prazer de vê-lo assim, tão inusitadamente, fez-lhe um carinho no rosto e, entre promessas de contato, partiu.

Agora o rapaz, já cheio de semblantes e lembranças, tentou, em vão, lembrar-se dos olhos desta última. Ora, não teria lido a menina dos seus olhos? Esquecera-se? Talvez a única que não havia tocado a alma diretamente.
--Vamos? - Irrompeu aquela a quem ele esperava ali, naquele poste, naquela esquina, naquela tão comum noite - tanto como todas as outras.

Deu-lhe um beijo nos lábios finos e róseos, assentiu com a cabeça e desapareceu, junto dela, na imensidão do mundo dos sentimentos.

André Lopes - 06 de julho de 2007 - 10h57
Rescuscitado!!! Meu blog está sendo, agora, neste momento, instante, razão e circunstância, rescuscitado!

Vamos ver no que dá essa nova tentativa de ser eterno :D

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

"adeus!
(boa viagem)
já vou!
(boa viagem)
Eu vou com Deus!
(boa viagem)
Eu vou, eu vou!"

Vou-me embora do Uga! Et genus omne. Estou de mudança para o Teatro silêncio,meu novo blog.
Aos que me visitaram e leram meus textos aqui, meu muito obrigado. Nos vemos em outras paragens.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Penso que quero escrever, penso que não quero escrever.

Ah! Fala sério: este blog já era. Há tempos não escrevo direito e nem tenho disposição para tal. Há tempos não há leitores, e boa parte da culpa é minha por não postar nada.

Pessoas se foram. Leitores deixaram a net por passatempos mais proveitosos (ou não). O Orkut tomou o tempo de muitos. E eu penso em criar outro lugar para escrever. Senti-me tentado, até, em pedir um espacinho para o Boiko, mas não achei justo e também não queria uma url genérica para mim (como se a atual fosse exclusiva...).

O fato é que preciso escrever. É uma necessidade tão vital para mim quanto sorrir, fazer sexo ou ter contato com pessoas. E isso tem se tornado um problema, por causa da insistente inércia a que estou(ava) preso.

E, para piorar a situação, tento ajudar e me ferro de verde e amarelo. Ah! A lei de Murphy... tão sacana! Me pegou totalmente desprevenido em uma situação de domínio total de mim mesmo e quebrou todos os alicerces da minha convicção.

Agora a inquietação...

Bom, pelo menos me fez escrever.

Quarta-feira, Março 29, 2006

E o Louco da Torre, longe da sua morada, perambula pelas vielas da vida inseguro.
A insegurança do seu "talvez" traz o sentimento de saudade de sua época, do seu antigo eu, das suas aventuras.
Um tempo em que o dia era curto e as noites longas... em que a presença dos seus era intensa e marcante... um tempo onde eles tinham vidas não-conjulgadas. Hoje o pluralismo...
Não há tempo melhor do que o tempo de nós mesmos. Nada entre o céu e a terra que não seja beleza e juventude. Uns marcos que, há tempos, se foram. Marcas que nunca mais voltarão.
Tempo do meu tempo... saiba que de ti sinto saudades. E a vida não mo trará novamente. Jamais.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

No último almoço passei mal e vomitei palavras...

"Falsete

Mais um dia na ausência tua
Uma manhã sem rumo, a mais.
Viajo contigo, neste vasto mundo
Visito teus sonhos, como tu os meus...

Centrado, ando pelos cantos... só.
Seus olhos me acariciam o pensar
O sono intranqüilo falseia
força o meu corpo a te amar.

Cai em mim tua falta
faltam relógios para acalmar-me.
Um pranto seco, sem pesar.

Penso na tua volta com encanto
canto teus dotes em muitos tons
Para ser teu, sempre, e ponto!

Curitiba, 20 de fevereiro de 2006"

Ainda assim, mais palavras habitavam meu âmago, e precisavam sair...

"Cadência

Um cheiro agradável paira no ar
o ar enche meus pulmões, sacia
saciado, conto os galhos e folhas secas
secam o ar robusto de umidade
úmdos ficam meus olhos, sem pudor
o pudor me falta e me sobra em demasia
em demasia, meu peito pulsa
pulsam minhas veias, membros e músculos.
Meus músculos pedem agito
agitada, minha mente tende a pular
pulo, e o chão me foge rapidamente
rápido, a forma devanesce.
Devanesco, como se a fumaça fosse minha forma
formo letras que contam minha paixão
a paixão, sempre errôneamente interpretada
interpreto meu caos em versos cadentes.
Cadencio a foice, aparo minhas daninhas
causo dano, corro, fujo e me dano...

Curitiba, 20 de fevereiro de 2006"

Se não as vomito, me devoram e causam câncer.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Arrebol

Há um frescor no ar da mudança
a sombra extingüe-se, o brilho nasce
flora a primavera no fogo de mim
canta o alvoroço, em coro
anucia a vinda do céu
bebem orvalho, festejam a luz
acordam do verde, e veêm azuis...

nasce o novo, cresce a semente
brota um broto, rega-se sempre
e sobe, sobe até o mais alto firmamento
torna-se grande e cai... aos poucos...

sementes férteis.

cresce mais um, cresce mais uma
o novo renova-se, o fogo dá força
floresce a floresta
nasce de novo.

Curitiba, 13 de janeiro de 2006

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005



Hahaha! Esse cara é muito bom em fotografia. visitem!

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Óia só eu!



Ficou bom, Léo?

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Ele a olhou nas retinas, mas viu o vermelho ao redor. Sumiu dentro da mente, mergulhou na pele dela. Sentiu uma pontada no peito e disse palavras belas.

Ela caiu dentro de si e olhou para os cantos escuros. Burlou a força emergente, engoliu o choro, suspirou em soluços e disse que não podia.

Olhou-a novamente. Cansou da prosa doce. Soltou baforada cáustica, falou verdades caseiras. Sugeriu novos horizontes, contou coisas novas e insitiu que fizesse as velhas.

Chorou, cansada, e atirou-se em defesas. Lacrou as fendas de si para o mundo. Recusou toda promessa. Contou o que a ela interessa, fraudou a própria saída e insistiu que não havia forças.

Pegou-a no colo, casou-se com o dilema; mordeu o canto do lábio, devorou suas fúrias internas. Falou que ainda dava tempo, sugeriu mudança de hábito. Cantou uma nova premissa, frustrado com as outras provas.

Escapou, a doce donzela. Soprou uma prosa pesimista, cortou as esperanças regressas. Fechou o peito para si, fechou o ar para todos, falhou a brotante primavera.

O canto soprou falho. A noite caiu sobre ambos. O sonho sonhou um regalo. A mente absorta em canseira.
A manhã poderá ser ligeira. O sol queimará os confessos. E a cauda que segue o projeto, está com a paz da conversa.

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Um espaço morto, sem choro, vela ou caixão

A reflexão, meditação e "ãos" afins fazem parte do princípio ativo que comanda minha escrita. E meditei, medi, contei palavras e não vi relação nenhuma em se estudar letras e escrever bem.

Grandes amigos - um deles escritor - gravaram na celulose grandes histórias, seqüências apaixonantes e, até mesmo, desafios semióticos. Nenhum destes tinha mais que o "segundo grau" (hoje ensino médio).

Então penso: o que esse povo têm de diferente? Um olhar filósofo sobre as letras? Uma certa arrogância em medir força com a gramática? Um desafio interno e particular onde criatura (o texto) e criador (o metido) dançam uma valsa sueca nunca ouvida.

No meu caso, porém, era somente a parte do arrogante-metido. Nunca fui um precioso escritor (ou seria escritor precioso?). Meus textos sempre foram "meio madíocres", mas com uma certa pompa de superioridade e vocabulário. Precisei, então, aprender a escrever. Não em uma faculdade de letras, mas de jornalismo.

E Deus fez a terra, as águas e o sol. Depois, Deus criou Adão e fez-se a humanidade. Depois o homem pôs as manguinhas de fora e quis, também, fazer algo. E fez-se a escrita (porque, segundo a bíblia, o ser humano foi criado com o dom da palavra...). Daí os danados quiseram contar, uns aos outros, da vida, obra e feitos de terceiros... e, então, criou-se o jornalismo.

Jornalismo. Uma "ciência" cética que não estuda, mas conta fatos. Acha que jornalista escreve? Mentira. Ele conta fatos. E o modo como ele conta esses fatos é moldado em uma técnica ancestral desenvolvida através dos tempos, mas desprovida de alma. Reparem, em qualquer jornal escrito, a resposta - ainda no primeiro parágrafo - das perguntas "quem, quando, como, onde, porque e o quê". Uma rotina que tolhe boa parte da criatividade textual. Ah! E dizem que é impessoal, ainda. Assim sendo, força, ainda mais, a escrita robótica. É horrível? A única resposta possível é: Não.

Brechas, meu caros. Brechas nessa camisa de força nos fazem fugir sem, contudo, fugir. Uns escapes no meio do texto, uma escolha certa das palavras e voilá! Têm se um texto jornalístico com "personalidade"...

Mas dei essa volta toda só para dizer que meu mérito, se é que há algum, é ter lido alguns escritores malditos, ter conversado muuuito na infância e sentir prazer em pôr letrinas no espaço branco. E abençoado seja este blog, que me permite colocar - para qualquer ser vivente que tenha acesso a um PC e saiba ler português - um pouco da minha mente codificada e singular...

...como todas as outras.

Leiam, crianças. Depois discutam a leitura até não conseguir pensar mais. Ler e conhecer, via papel, coisas novas é importante, mas tocar, discutir e pôr em prática a leitura... é divino.

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Da série: aventuras de um Santo no interior.

Nunca imaginei receber uma história via SMS. O Luiz, entretanto, tem o dom de fazer essas coisas...

"Eu que tenho por hábito contar historias e que a ti escrevo andando sobre a linha (via férrea), vou lhe contar a historia do dia de hoje:
Meu dia passou ligeiro. Veja um resumo dos fatos (estou no cemitério de árvores): a coisa foi assim nessa ordem luiz-barba-fabiane dizendo que eu não cuido do João. Mãe-nei-resmungando e por fim pai bêbado tambem bravo e o que sobra é um Luiz levando o filho embora. Fui, ainda, com ele brincar na igreja, mais tarde. Depois de tudo bem e com o João em casa (uma coruja me atacou devo estar perto do ninho acho que vou ter que sair daqui), fui jogar vídeo-game. Cheguei em casa e, no quarto, estavam R$ 40,00 de um dinheiro que eu havia DADO a ela. Ela falou que precisava dele, nisso eu saí.
Ai que vem a parte bonita da história.
Havia um velho na beira da estrada sentado. Eu o cumprimentei e ele disse que tinha caido e machucado a perna. Perguntei onde ele morava e ele respondeu algo como o que te importa! Disse, então, que só queria ajudá-lo. Ele sorriu e disse que não precisava e que eu fosse com Deus, se eu tivesse boa fé. Disse, ainda, que ele já estava todo quebrado, mas que era mais moço do que eu e que um dia eu iria saber a idade dele. Repetiu isso ainda duas vezes então parti para o caminho que já lhe falei e agora estou voltando pra casa. Tomara que você tenha percebido o que o aconteceu. E da proxima vez não me interrompa. Você sabe o trabalho que dá lembrar... Ainda fiel "S.D.E" Paz a todo nós."

Sim, estou com inveja de ele poder sair na noite escura e ser atacado por corujas. Maldita capital cheia de pedras e frieza...

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Saga de um zangão

A Rosa me Amou.
Quem Amou?
A quem Amou?
Quem a Amou?

Foi o espelho que a refletiu em meus olhos?
Foi meu corpo que tocou seu fogo?
Ou partes dela mesma que residiam em mim?

O casto olhar da luxúria inebriou-me
Sou dono do meu signo e fogo brando sob a chuva
Caíram minhas grades, mas meus espinhos cresceram
Sonhei com o futuro e expelí-me no vazio.

A margadira me olha.
Quem olha?
A quem olha?
Quem a olha?

Viu seu rosto no meu?
Cozeu roupas amarelas para eu travestir-me dela?
Casou-se com meus atos ou aprisionou-os no passado ideal?

Impelí-me para sua cor.
Deixei-me levar pelo dourado.
Amei a gota de orvalho sobre ela
e caí de Amores pelo Cravo, pela For-de-laranjeira e pelo Girassol.

Quem caiu de Amores?
De quem apoderou-se?
Quem é o verdadeiro Amor?

Meu corpo urge pelo calor.
Pétalas, pólen, mel, não importam.
Meus olhos refletem a mim em ti.
Refletimos e, mesmo assim, Amamos.

Segunda-feira, Setembro 26, 2005

Vamos nos organizar, Lopan, vamos nos organizar...
Cordeiros de Deus ou instrumento do maligno?

Não sei até onde o ser humano pode ser ou não cruel ou, em contrapartida, ser ou não beatificado...
Somos preguiçosos... deixamos de fazer o que é necessário para fazer o que nos dá prazer.
Mas somos prestativos. Ajudamos, agrupamo-nos e passamos a mão na cabeça do que chora.
Somos egoístas. Nosso ponto de vista é o correto e defendemo-nos com armas e dentes.
Mas somos sentimentais. O olhar satisfeito do outro nos faz bem e fazer o bem ao outro faz MUITO bem.

Somos irresponsáveis. Nossas obrigações são deixadas de lado e as coisas que temos que cuidar e manter nos são estorvo.
Mas há valores. E eles nos fazem (leia-se nos moldam) de tal forma que legitimá-los nos torna fortes e nos traz calor e paz...

Há ranger de dentes, e são meus.

Há frases desconexas, e não são.

Existem pontos claros e escuros no hades, dor e satisfação, pele e ar, toque e repulsa, fome e vômito.

Não acho coeso sentir ternura em uma noite e egoísmo na outra.

Mas há.

Há!

Terça-feira, Setembro 20, 2005

Extra! Extra!
Últimas notícias do Lopan!

Parece que apertei a tecla "pause" da minha vida. De repente tudo o que parecia curso certo e destino irrevogável tornou-se quimera, miragem. Não me senti estudando, não me vi morando em uma casa de estudante nem nada do que gerenciava minha vida. Estranho...

No entanto, estou sentindo-me bem. Nada de mais. Nada de euforia. Mas sinto-me bem. Tenho buscado saciar meus caprichos, andar por lugares mais perigosos que o fio da navalha e viver algo novo. Embota-me, deveras, a sensação de perigo, de errado, da culpa cristã.

Mas, mesmo assim, sigo. Estou vivendo coisas novas, tornando-me sedimentado. Sou muitos. Sou tantos. Não me importa o curso sangrento da vida ou a ligação extrema com a morte.

Estou ousando. Estou pecando. Estou vivendo.

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

Oh! Shit! Aguardem que logo coloco algo aqui... breve, breve!

Terça-feira, Julho 26, 2005

Um grande colega disse, certa vez, que media sua felicidade através do produto da subtração das alegrias e tristezas do passado. Como funciona essa conta? Elementar, caro Watson.

Se alguém teve muitos momentos felizes e poucos tristes, esta é uma pessoa feliz.
Se outro teve muitos momentos tristes e poucos felizes, é amargurado e/ou infeliz.
Agora, se teve uma quantidade similar de momentos tristes e felizes, é uma pessoa que vive um lifestyle perigoso. Está no limiar da radiação e inércia, do despertar e do dormir, da amizade ou da solidão. Do suicído ou da filantropia...

Pois é. Estive mais para momentos tristes há dois anos. Na verdade acúmulo de tristes em um determinado período.
Logo após, de dois anos para cá, passei a experimentar uma avalanche de sentimentos bons, ruins, conflitantes, desesperadores e maravilhosos. Entrei na faixa do temível meio termo. Nem muito feliz, nem triste o bastante.

Mas, ultimamente, tenho tido vários momentos bons. Fins de semana com grandes amigos, sensações de alegria ao reencontrar coisas e pessoas do meu passado (há tempos não sentia) e alegrias e desalegrias amorosas (a primeira em maior quantidade).

Acho que, agora, transpassei a fronteira do meio termo e passei para o ponto "mais momentos felizes".

Acho que amadureci... sei lá.

Feliz aniversário para mim no dia 28. ^^v

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Uma noite como as outras...

Ah! Se os projetos que saltam a todo instante em minha mente tivessem força, o tempo todo, para florescer e dar saborosos frutos...
A energia conquistada na minha última visita à Wenceslau Braz já está diminuindo...
E, apesar de ter todo o tempo do mundo, agora, estou sofrendo com a falta de motivação, de forças para fazer o que tenho que fazer. E o que é pior: o mesmo acontece com o que não tenho que fazer, ou seja, o lazer.

Ó céus, ó vida, ó azar...

Sexta-feira, Julho 01, 2005

Aí eu pergunto: o quão bonito pode ser uma impressão, um vento matinal, uma luz na fresta da parede?

Não sei se é algum defeito, mas encanto-me com freqüência com algumas bobagenzinhas. Algo como no filme American Beauty (Beleza Americana). O vento pré-tempestade, o crepúsculo, o sorriso lindo de um(a) amigo(a), lágrimas de falicidade...

ou de tristeza...

É tudo tão belo que sinto, como o personagem, que meu coração pode explodir.
E eu gostaria, mesmo, de explodir. Chorar copiosamente. Cantar na rua, durante a chuva. Gritar na madrugada que estou feliz ou triste. Intensificar minha vida, minha ligação comigo mesmo.

Eu quero beleza. Ver a silhueta do corpo feminino, à meia-luz. Observar a retina de alguém, além do infinito. Beijar como se fosse a primeira e a última vez. Soluçar o coração como fosse o primeiro Amor. Ouvir, com lágrimas, a uma música nunca antes escutada e olhar para as estrelas, romântico, quando ela acabar.

Eu quero demais...
Coisas inesperadas...

Reencontrei uma colega de escola, dos mais recônditos tempos da quinta série. Tornou-se amiga.
Na verdade, nunca imaginei ter contato com o povo daquela época. Muitas cicatrizes sobre o garoto fraco, sem aptidão para esportes ou brincadeiras que dependessem do físico (por causa de uma herança genética da minha mãe: ultraflexibilidade nas juntas, falta de colágeno e coordenação motora duvidosa...).
Com isso, só restou os estudos, umas poucas amizades e a chacota, intimidação e a perseguição por parte dos "fisicamente aptos" da escola.

Dentre as garotas, só havia pretensão romântica acerca de alguma (frustradas, é claro) e umas poucas amizades.

Não imaginei, em nenhum momento da vida, reencotrar alguém daquela época, ser bem-tratado e reconhecer, em alguém que não via há 10 anos, uma pessoa excepcionalmente legal e inteligente.

Mas a vida surpreende, in fact.

Segunda-feira, Junho 27, 2005

Acho que encontrei minha melhor definição do que é o tédio (transcritos dos comentários do Boiko):


" 1. Lopan Diz:
27/06/05 às 16:41

Já te falei sobre o “buraco sem fundo”?

É uma espécie de “it doesn’t matter” recursivo. A coisa não muda se eu coisá-la. Então não vou coisá-la para que a coisa não mude e fique como está. Mas isso torna a coisa mais incômoda. E nada mais coiseia.

Será que fui claro? "


Ficou lindo, né?

Sexta-feira, Junho 10, 2005

Um distúrbio psíquico

Estou tonto...
Na tontura quero estar
Estou tonto
Tão tonto, desligado, de acalmar
Caído no vácuo
Vácuo, sem sonhos, o sonhar
Sem pensamentos, ou loucos!
Loucos, loucos, azar...

Estou tonto
E no abismo quero pisar
Estou fraco
Minha “fracura” me cura, solar
Moído com garras
Garras, presas, apresar
Cãibras no cérebro
Cérebro a atraiçoar

Estou tonto
O estômago saliva no ar
Estou enjoado
Enojado com o “ser e estar”
Preso ao nada
No nada quero passear
Mas do nada ao nada
Nada mais quero falar.

Curitiba, 10 de junho de 2005.

Sexta-feira, Junho 03, 2005

A movimentação dos astros - dizem os esotéricos - está nos levando para a era de aquário. Esta época será mais elevada espiritualmente que a era de peixes e seus filhos serão mais evoluídos. Entretanto, toda passagem de eras, ou de "circunstâncias" gera mudanças radicais e, nem sempre, boas. São inúmeras pessoas influenciadas por essa energia desarmoniosa de mudança, de transição. Depressão, inconstância, intolerância e outros sentimentos e comportamentos negativos imperam nesse momento. E nem todos chegarão ao momento da mudança, nem verão suas implicações...

Profecias à parte, repararam como todo mundo anda desequilibrado nesses últimos anos? O número de consultas com psicólogos aumentou proporcionalmente ao número dos que deixaram de acreditar nas coisas, nas pessoas e na magia. Mas não falo de magia, com caldeirão e vassoura; falo de olhar para uma criança e achar bonito, de sentar-se num parque e sentir que o mundo é bom, de, antes de fazer uma viagem, sentir-se entusiamado e nem conseguir dormir na noite anterior...
Sinceramente, quando foi a última vez que nos sentimos assim? Cinco anos? Dez? Não importa.
Porque a morte parece tão saborosa nesses tempos conturbados? Parece um .
Prestem atenção.
Silêncio.

Segunda-feira, Maio 30, 2005

Oh! Shit!
Comments doesn't work... again...

Fazer o quê. Lá vou eu trocar (de novo) o sistema de comentários e ver se funciona...

Quarta-feira, Maio 18, 2005

Matérias para fazer...
Trabalho acumulado...
Auto estima em baixa...
Cansaço, cansaço, cansaço...
Filme do Star Wars III, às 00h02, nos cinemas da UCI, Estação Plaza.

Perdoe-me, Marx.

Terça-feira, Maio 10, 2005

A chegada dos tais



Chegas. Digo-te: demorais!

Já te sabia a vinda, vieste e chegais!

Sabia por que senti, vinhas detrás.
Atrás de meus passos, passos fatais.

Fugi, fugi e me seguiste, tua fama honrais!
Para meu passado voltei, e lá tu mostrais:

A árvore... não existe mais.
Saudades totais.
Flores, folhas, lágrimas... todas iguais!

O barranco esburacado. Domais!
Marcas fortes do futuro. Varais.
Habitações banais.

O mato. Sagrado. Sinais.
Os ventos, não cuidam, não voam totais.
Casas, sem medo, ao lado das casas. Capinzais.
O muro... soldado! Mortais...

Visão. Distantes, casais.
São tantos, tantos e tais
que falta espaço! E imaginais:
Desnudam a terra! Destróem meus sonhos banais...

Nada é igual, não são mais iguais.
Sofro com a falta, a falta é demais.
A volta é sofrida, coberta de sais.
Calor do alto! Em mim, em meus entes vibrais!
A canção do canto jovem, vinde e cantais.
Que ela, não canto, não canto... escrevais.

É a hora que passa, em mim acreditais!
Ponteiros da vida, que o tempo rolais.
És a luz que chegou. E o meu fogo queimais...
E a árvore do sonho, comigo sonhais:
Não sombreia, nem verdejará jamais...

Curitiba, 09 de maio de 2005.

Segunda-feira, Maio 09, 2005

Aviso aos desavisados:

Criei um novo espaço, alidoladodireitoó, sob o nome Só o que interessa. No link abaixo, o Ensaios da meia-noite, estão minhas criações literárias, sem a enfadante jornada de desabafos e "cotidianeidades" minhas. Então, para quem gosta só da parte "poetica" e dos artigos que escrevo, lá é o lugar.
Todo dia terá uma novidade, enquanto durar o estoque.

Beijo na nuca "docêis".

Lopan da Capela

Ps.: Leituras recomendadas para todos meus estimados espectadores: O diário do Boiko (procurem pelos artigos dele. São muito bons), Me and myself (gosta de criticas e coisas ácidas? Esse é o lugar!) e o num dia flores, noutros calabouço (blog de uma estudante de Letras. Sentimentos, sensações e sudorese).
Brain Storm

!Santos ... mantos
Cárie ... sátiros
Mártires ... óbito!

Terça-feira, Maio 03, 2005

"Assim são eles. Nascem, crescem, casam-se, têm filhos, envelhecem e morrem. E seus filhos nascem, crescem, casam-se e têm outros filhos."

Um dos defeitos que tenho é não sentir saudades com freqüência das pessoas de quem gosto. Mesmo os mais chegados perdem o brilho com a distância. Parece que preciso vê-los para que a chama fique viva em meu peito.

Mas, é claro, que de vez em quando bate a saudade. Saudade do que vivi com a pessoa, saudade da pessoa em si, enfim...

Muitas vezes pensei: "vou lá ver fulano, antes que ele morra". Por vezes tive razão.

Dentro de uma pequena cidade do interior do Paraná, chamada São José da Boa Vista, nasceu uma criança, na década de 50, batizada de Hélio Diniz. Foi uma vida sofrida, marcada, primeiramente, pela paralisia infantil e, por conseqüência, pela discriminação.
Por causa disso abandonou os estudos ainda no primário. Mas queria estudar. Procurou livros, aprendeu matemática, física, sociologia, religião e muitas outras coisas, tudo por conta própria.
Cresceu, teve amores, foi religioso, deixou de sê-lo... E chegou à idade de 50 anos. Escreveu um livro, que não conseguiu editar, tinha projetos de escrever outros livros. Fazia artesantato. Gaiolas para passarinhos. Gostava de cuidar, de ter e de ouvir os pássaros cantando. Gostava do calor e detestava frio e escuro. Ficava irritadiço e acabrunhado no inverno e em dias de chuva.
Era um Brujo... adivinhava coisas da vida das pessoas. Mas não era místico: deduzia. E acertava, quase que certamente.

Conheceu um garoto de preto, em 1995, por intermédio de uma amiga sua chamada Elienai, a "preta" (que era branca). Cultivou uma amizade que era regada de vez em quando, de ano em ano, de encontros de dois dias ou um dia inteiro. Mas sempre encontros intensos e que fascinavam o jovem de preto.

O jovem encontrou, certa vez, um Hélio Diniz depresivo. Seu humor ia mal e sua convicção agnóstica balançava. Dizia "você vê aquele cara evangélico, que é um quadrado e acredita piamente na sua religião. Ele é feliz, reparou?".

Dois anos mais tarde Hélio teve um infarto. Mas sobreviveu. Tomou mais cuidado com a comida, mudou alguns hábitos (outros ficaram...) e continuou vivendo.

Ontem, recebi a notícia que ele estava no hospital. Não sei o que houve. Não sei como ele estava.

Hoje de manhã soube que ele falecera.

E eu, jovem de preto que detesto despedidas, me despeço do Brujo. Não sei se há "outro lado" para os ateus, mas, se houver, boa viagem.

Minha ideologia é "quero ser elogiado em vida e quero ser criticado depois de morto. Porque qual é a vantagem de ser elogiado, após a morte?"

As vezes em que estive com você, Hélio, foram de intenso aprendizado e de harmonia. Você sabia que eu te admirava e que queria ser como você "quando crescesse". Espero ter sido importante, não na sua vida, mas nos momentos em que você precisava de um elogio e eu chegava, como tantos outros o fizeram, e ouviamos a tua sabedoria.

À você, saudate et laudate.

Sexta-feira, Abril 29, 2005

Background

Sempre gostei de ficar “por trás” das coisas, oculto. Mas, com o tempo, meu ocultamento tornou-se tão necessário, tão opressivo (de mim para eu mesmo), que fez-se prisão.

Agora, a outra e primária necessidade de convivência, de troca de informações, de afirmação do EU, está comprometida.

Um complexo vicioso que assume altos e baixos, mania e depressão, tagarelice e reclusão. Tudo isso no mesmo corpo, no mesmo ser, na mesma vida.

Ora, relacionar-se é uma necessidade vital (como já disse antes). Por que merda de idiotice eu achei legal, um dia, privar-me dela? "É uma máscara" - pensei - "O que sou de verdade ninguém vai saber. Ninguém poderá usar nada que sabe sobre a minha personalidade contra mim. Estarei salvo". Que (amarga) ilusão.

Numa palestra, um dos melhores professores que tive contou uma história:
"No princípio havia o silêncio. Silêncio, e nada mais. Queria-se quebrar o silêncio, mas três questões pungentes precediam este ato.
Primeiro: Por que quebrar o silêncio?
Segundo: Como quebrá-lo?
Terceiro: Depois de quebrado, é possível reintegrá-lo?
Depois de ponderadas as questões, o silêncio foi quebrado, e fez-se a matéria, o universo.
Então, todas as perguntas foram respondidas, principalmente a última:

Não há como reintegrar o silêncio, pelo menos não como era antes, depois de quebrado"

Quebrei o silêncio. O silêncio desejo. Ao silêncio retornarei.

Mas nem tudo é ruim, não é? Os otimistas nos ensinam que sempre há proveito no infortúnio.

Olha só: encontrei, através da insanidade, um amigo (e vários outros, no passado, pelo mesmo motivo).

Seja benvindo, senso de amizade de Jack. Se nossos frutos forem azedos, comeremo-os com sal.

Ps.: Oi, é tu que é muleque
muleque é tu
Oi, é tu que é muleque
muleque é tu
Me chamou de moleque!
muleque é tu
Oi, é tu que é muleque
muleque é tu
Não me chame de muleque, que muleque não sou eu
Quem me chamava de muleque era Besouro Preto, Besouro morreu!
Oi, é tu que é muleque
muleque é tu
Oi, é tu que é muleque...

Quarta-feira, Abril 20, 2005

“Mas o ser mais estranho e macabro de que já ouvi falar é o Orlando Pinto. Consagrado agricultor da região do norte velho, mais precisamente da vila de Calógeras, Orlando Pinto teve uma vida de blasfêmias, violência e crueldade”.
“Dizem as histórias que, por vezes, atirava nas pessoas que passavam em frente ao seu sítio, só para “matar” o tempo. Noutras batia na mulher e nos filhos quase até matá-los. Naqueles dias difíceis, época em que o homem do campo sofria para ganhar poucos trocados, o Coronel Orlando, latifundiário sádico, aproveitava dos seus empregados e do poder econômico que tinha na região.”
“Mas ele, um dia, ficou velho. E com a velhice vieram as doenças. Foi então que Orlando, acometido de um estranho mal que o emagrecia gradativamente, foi morrendo. Mas não morria”.
“Passaram-se semanas, meses, anos. E o velho ficava, a cada dia, mais magro, com estranhos pêlos pelo corpo e com a pele flácida, mas não morria. Em certo momento, as pessoas que vinham lhe visitar (por curiosidade, somente, porque ninguém tinha compaixão do pobre diabo) começaram a fazer orações e pedidos à Deus para curar ou levar logo de uma vez o Sr. Orlando. Nessas ocasiões o ser (porque não podia mais ser chamado de homem), encurvado e esquelético, fazia sons horríveis e parecia sofrer uma agonia ainda maior. Sertanejos que presenciavam a cena benziam-se e saíam de lá horrorizados.”
“O tempo foi passando e cada vez menos o povo visitava Orlando Pinto. Sua mulher morreu, com 85 anos. Seu filho mais novo morreu, também, 30 anos depois do pai começar a sofrer com a estranha enfermidade. E Orlando Pinto continuava na mesma situação, 50 anos depois do início da doença. Nesse momento ele já devia ter passado dos 120 anos de idade e não tinha mais nenhum parente para cuidar dele”.
“Todos esqueceram o desafortunado, e o julgaram morto na cabana que um dia abrigara os porcos da sua fazenda. Suas terras definharam e eram temidas pelos moradores de Calógeras, que evitavam passar por lá”.
“Anos mais tarde, um certo benzedor resolveu entrar no casebre e enterrar o corpo de Orlando. O velho negro ficou cinco dias desaparecido e, quando foram procurá-lo, acharam o casebre dos porcos destruído, com as tábuas estraçalhadas e um rastro forte que levava até a floresta, marcado no chão”.
“Eles seguiram o rastro até encontrar o benzedor, cheio de marcas de açoite pelo corpo e muito fraco mas, felizmente, vivo. Levam-no para o hospital, onde ficou internado por nove dias e, depois, pediram para ele contar o que aconteceu”.
“-Não vou dizer nada! – bradou o benzedor. Aquele homem virou corpo-seco por causa das mardade que fez! Quase me matou, o desgraçado. Mas consegui, com a ajuda de Nosso Senhor, “amarrar” o danado numa araucária, lá no meio do mato. Garanto que de lá ele não sai mais!”
“Todos ficaram estarrecidos com a história e com o fato que, quinze anos depois de ser abandonado, sem comida, sem água, Orlando Pinto ainda estava vivo. Ou algo que o valha...”

“O benzedor “amarrou” Orlando na araucária no ano de 1977. E, até hoje, depois do ano 2000, as pessoas de Calógeras evitam passar por aquele mato, que um dia foi sítio do Orlando Pinto, com medo de achar a araucária e o “corpo-seco” no meio do caminho”.
O benzedor resolveu ensinar seus conhecimentos para um aprendiz, porque diz que, quando a araucária tombar morta, Orlando Pinto poderá, novamente, caminhar livre pelos matos da região. E o medo do velho negro é que ele tenha fome”.

(Baseado numa lenda real da região de Calógeras, distrito de Arapoti, mas os fatos citados no conto são ficção, não havendo intenção de ofender, criticar ou caluniar qualquer pessoa que conheça a verdade ou seja parente distante desse homem. Se alguém souber os fatos reais dessa história, entre em contato comigo. Terei prazer em reescrevê-la).
Há três grandes e importantes personagens nas lendas da Capela.

O Santo Di Escadarias, o Barco dos Desertos Infinitos e o Louco da Torre.

O Santo Di é o morador da Capela das Almas. De lá observa o mundo e disserta sobre as tendências do cosmos sem, contudo, poder sentir o mundo externo. Pertence ao elemento água e flui como tal. É o regente da inteligência, raciocínio e dos sonhos.

O Barco dos Desertos Infinitos é a pedra que governa a realidade da Capela. Faz com que a realidade seja sólida mas traz um caos tão grande, tão incompreensível, que acaba transformando-o numa ordem complexa e sagaz. Seu elemento é a terra e, como tal, é um sustentáculo de força e trabalho. A ele pertencem a sinceridade, a sabedoria e a virtude.

O Louco da Torre vive aprisionado na torre mais alta da Capela das Almas, mas há quem o tenha visto perambulando, lunático, pelas sombras da noite negra. Ele mostra o quão inseguro e relativo é o mundo, como um eterno "talvez" estampado na garganta. Sem a sua intervenção, a Capela não conseguiria consolidar a vida sonhadora com a terrena e caótica. A loucura do seu "talvez" mantém o equilíbrio de forças nas terras infinitas da Capela das Almas (que tem um andar para cada lágrima e um quarto para cada estrela). É regido pelo elemento fogo e por causa dele brilha e aqueçe os ânimos. É senhor do erotismo, da imprudência e da curiosidade.


Sem essas três peças (outrora conhecidos como "New Mads"), nem o Mundo de Capela nem a Capela das Almas existiria.

E há, ainda, lendas de uma certa criatura perfeita, que seria a junção desses três espécimes, chamada Arkanum de Capela. Seria a criatura mais temida e poderosa daquele e de vários outros mundos. Mas sua existência não é comprovada e nenhum dOs Três diz algo sobre o assunto. O Arkanum de Capela é do elemento ar e domina o poder de destruição e reconstrução, a seu bel prazer.

Terça-feira, Abril 19, 2005

O que falta para que eu consiga tirar de ouvido os “solinhos” do Legião Urbana? Técnica? Isso também. Um CD player que tenha a tecla “pause”? Isso também. Paciência? Não. Isso até tem bastante... Persistência? Ah! O dia seguinte...

Fiquei contente, no final das contas. Eu tocava quase direitinho a música “Há tempos”. Faltou acertar algumas coisinhas, mas nada grave. Já a “Pais e filhos”, que eu nem tocava ainda (mais por despeito. Prefiro as menos conhecidas do Legião), foi cáustica. Aqueles “solinhos” que tem no meio e no final da música me mataram. Primeiro porque eu nunca fiz esse tipo de coisa e, em segundo lugar, eu nunca tive paciência de aprender técnicas de solo de guitarra. Eu toco violão, pombas!

Mas tenho que prosseguir. Mesmo que demore, vou tirar o solo das músicas do Legião e das outras que estão no meu repertório.

Haja disposição!

PS.: Alguém aí quer trocar um computador por uma Mobilete?

Terça-feira, Abril 12, 2005

Faz tempo que eu estou me perguntando: tem como recobrar a inocência?

Talvez não seja nem a inocência o que tem para ser recobrado, reconquistado, mas uma espécie de "vivacidade". Os jovens (adolescentes entre 12 e 18 anos) costumam ter esse tal sentimento em abundância. Flui como líquido vital, junto com as besteiras que dizem e as atitudes imprudentes...

Mas isso também faz parte do processo.

E como responder à minha pergunta? É possível ou não ter isso de volta? E, se for possível, como conseguir?

Relembrar, como fazem os idosos, dos "bons tempos" é confortador. Traz um pouco daquele "quê", o famigerado friozinho na barriga, aquela sensação de ser um espécime único... mas não dura muito. No máximo algumas horas depois da lembrança.

E o aqui-agora? Now here ou no where? Como trazer de volta a inocência (talvez eu esteja tentando dizer entusiasmo, ou espontaneidade, ou nada disso...) e sentir-se vivo novamente? O que falta para mudar anos e anos de cristalização do monótono mundo dos adultos, responsáveis e vazios? (Ah! Estressados, também.)

Parece que o que nos traz esse sentido (ou Me traz) está perdido em algum lugar do passado, numa época de mais hormônios e menos preocupações. Num tempo em que os amigos eram mais intensos, mas mesmo que não fossem não fazia tanta diferença...

Numa época onde parecia ser legal ser melancólico e depressivo. Que fantasmas, vampiros, bruxas e deuses existiam. Que um beijo era uma conquista incomensurável e que sexo era um luxo que não tínhamos...

Que futuro é esse que habita o meu presente? Presente de grego...

Terça-feira, Março 22, 2005

Trabalho novo... textos novo!
Finalmente estou trabalhando diretamente com jornalismo.
Espero que tudo melhore daqui prá frente...

Óia só uma das minhas matérias:
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Substituição de motor original por retificado ainda é ilegal
CONAREM luta junto ao DETRAN para regularizar a situação

Os profissionais de retíficas de motores têm encontrado um grande complicador em relação à substituição de motores por um outro remanufaturado. A dificuldade, nessa questão, é o próprio RENAVAN, que, no seu cadastro, mantém o número do motor ligado ao restante dos componentes, como o chassi, na informação do veículo.
E, quando o motor original é substituído, é necessário fazer uma alteração no cadastro nacional, e não há uma norma para esse procedimento. Assim, cada estado ou região acaba adotando um modo de trabalho, o que prejudica o consumidor final.
Essa falta de definição de norma faz com que o consumidor seja indevidamente penalizado. Se ele precisar trocar o seu motor por outro retificado, pode ter o seu veículo apreendido e responder a um processo de receptação de produto de furto, mesmo com a nota fiscal e que o vendedor prove a boa procedência das peças.
O Conselho Nacional de Retífica de Motores (CONAREM) identificou isso e, para proteger o consumidor final, desenvolveu uma normativa, junto ao DETRAN, que vai permitir que se consulte a base de dados e se atualize a situação do veículo, de forma legal.
Foi necessário, para isso, que os diretores do CONAREM, fizessem uma reunião, em dezembro de 2004, com 12 DETRANs do Brasil para discutir essa normativa. Esse documento está nas mãos do DENATRAN para dar o formato jurídico necessário e tornar-se um padrão legal para todo o país.
Nele, há vantagem para todos os interessados: o veículo fica com a situação regularizada junto ao DETRAN, o cadastro nacional fica atualizado, o segmento de retíficas de motores pode prestar esse tipo de serviço e, principalmente, os direitos do consumidor ficam garantidos.
Para o Presidente do CONAREM, José Arnaldo Motta Laguna, a reunião com os DETRANs foi histórica. “Normalmente, os DETRANs se reúnem e eles escrevem as normas, as determinantes, com a visão deles. Eles não conhecem a visão do consumidor e não conhecem a visão dos profissionais envolvidos no processo. Nós ampliamos o debate, mostramos o nosso lado, aquilo que prejudica o setor e, principalmente, o que prejudica o consumidor. Porque nós não estamos lá para defender o nosso interesse; estamos lá para defender os interesses do consumidor. O que for bom para ele, automaticamente, será bom para o nosso negócio”, diz.
Ainda não há previsão para quando essa normativa será aprovada pelo DETRAN, mas tanto as retíficas de motores como o CONAREM, estão ansiosos pelo desfecho. “É um pouco difícil determinar uma data. Mas, com certeza, eu gostaria que fosse nos próximos 30 dias”, comenta Laguna.
BOX
E por que trocar um motor por outro novo?
Para empresas e profissionais da indústria de transportes, veículo parado significa prejuízo certo. O tempo necessário para uma retífica completa varia de cinco a sete dias úteis, cerca de duas semanas, dependendo do tamanho do motor. No caso da base de troca pode durar apenas um dia. Com isso, a produção das transportadoras, taxistas e máquinas agrícolas ficam o mínimo de tempo paradas e a empresa com menores prejuízos.

Sexta-feira, Março 18, 2005

Quando eu estava em Fortaleza, CE, aconteceram várias coisas que modificaram minha postura quanto ao mundo. Uma delas foi com respeito a honestidade.

Eu estava numa lanchonete, mais ou menos pelas 21:00, e uma menininha, aparentando 6 ou 7 anos, veio me vender um cartãozinho. Disse que era apenas um real e recitou toda aquela ladainha que conhecemos de cor.

Fiquei pensativo. A garotinha aparentava ser bem pobre. Calças velhas, cabelo mal arrumado, rostinho sofrido...

Acabei simpatizando com a guria e lhe fiz uma proposta: eu comprava um daqueles cartões, mas deiixava com ela, para que desse para algum ente querido.

Ela me olhou, confusa. Disse que não entendeu. Repeti: estou te dando 1 real, mas quero que você fique com esse cartão que escolhi (eu tinha escolhido um) e dê para alguém que você goste.

"Então tá! Brigado, moço", respondeu a criança.

Na verdade, eu estava dando aquele real para ela. Não era para comprar nada. Esperei ela ir embora e revender o cartão que eu havia "comprado" para ela.

Só que, ao sair, ela pegou o cartãozinho que eu comprei e GUARDOU NO BOLSO!

Ou seja: ela realmente ia dar para alguém que ela gostasse. Ela foi honesta.

Terminei meu refrigerante com lágrimas nos olhos...

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Acreditem: Esse tipo de sinceridade e honestidade EXISTE!

Por favor, Senhor, faça com que eu seja digno...

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

Bom... a saída é escrever qualquer coisa...

Acho que dei uma enferrujada nessas férias. Ontem tentei escrever algo e não saiu nada além de besteiras. Será que o fim dos tempos está chegando? ^^v

A faculdade iniciou atividades ontem. Só que, como sempre, montaram errado a grade horária e ninguém (nem eles) sabem em que sala e que matéria nós estudaremos...

Fazer o que.

No mais, estou numa empresa de distribuição... de curriculum... André S/A :-))

Se souberem de algum trabalho na capital paranaense, fico à disposição.

sem mais para o momento...

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

É TUDO A MESMA COISA!!!!!!!!!!!!!!!
(com 15 exclamações em homenagem ao Leonardo Boiko ^^v)

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

"Muito dinheiro no bolso.... saúde prá dar e vender.."

Mais um ano começa... e eu sem idéias para postar.

Mas aguardem! Logo escreverei umas "novidades" aqui.

No mais

Feliz ano novo a todos! v^^v

Quarta-feira, Novembro 03, 2004

As folhas da árvore colosso continuam a cair
descem pelo ar com calma, com o balanço do mar
a brisa de fim de primavera lança-a longe do seu destino
e ela sobe ao ar...
passa perto do galho de onde saíra
tenta agarrar-se a ele
em vão.

Desce pela gravidade da sua condição
"desce mais, inda mais"
e toca o solo, suavemente...
vê ao longe o galho que era sua casa
uma gota de orvalho desce da sua face, ainda cheia de vida

E ela vê

Folhas caem.

Quinta-feira, Outubro 21, 2004

Duas palavras: Não morri!

Trabalhos, artigos, reportagens, tudo acontecendo ao mesmo tempo na ESEEI. Hoje estou terminando um artigo científico sobre "A comunicação não verbal nas relações interpessoais". Nome bonito, né? ^^v

Só espero conseguir postar uma vez ao ano, pelo menos...

PS.: Recomendo que leiam a história do Léo e as formigas. Muito legal!

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Para não dizer que não falei das flores...

Antes que alguém atire pedras em mim estou postando algumas linhas.

Estou trabalhando bastante e desenvolvendo uma página na internet que só darei o endereço quando estiver mais ou menos concluída. Na verdade tomei vergonha e decidi aprender HTML de uma vez e parar de não entender nada do template do meu blog ^^'.

Hoje atualizei o endereço para o blog do Wendel (sei que sou relapso... já faz muito tempo que você mudou de blog, né Wendel... discurpa!) e adicionei a Central do Radiojornalismo nos links referentes a (adivinhem) Jornalismo!

"Ah! Se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me diz agora o que vai ser de mim...."

Terça-feira, Agosto 31, 2004

Vende-se:

Notebook IBM Thinkpad, pentium 100 Mhz, 40 Mb de memóriam, com CDrom, placa de rede 10/100 e 900
Mb de HD.
Preço: 850,00

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Alguém por aí está interessado? ^^v

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Acordei nostálgico...

Fazem quatro dias que estou com um impulso de escrever para os meus antigos correspondentes de Wenceslau e Fortaleza. Acho que vou redigir uma missiva para o meu amigo LCF (Luiz Carlos Ferreira).

Mas estou tão diferente daquela época que escrevia para ele que nem sei direito o que escrever...

Acho que a culpa é do meu professor de Redação Jornalística II que exige textos quase todos os dias. Acho que já está virando uma necessidade. ;-)

Quinta-feira, Agosto 12, 2004

A professora de Redação IV pediu prá gente fazer uma crônica humorística, para entregar hoje.
E pensei: "o que vou escrever?" Como crônicas assim costumam ser "causos" bem escritos e elaborados, resolvi contar um "causo" que aconteceu comigo há três anos atrás.

Águas passadas

Uma tarde de verão. Tudo normal. Era só sair do trabalho, chegar em casa e ficar com os pés para cima, tomando um suquinho de laranja, no calor de Fortaleza.
Vínhamos de carro - eu e o Ricardo - sonhando com o tal suco. Doce ilusão.
A Aparecida havia ligado à tarde dizendo que havia um probleminha na torneira da pia da cozinha. Nada para fazer medo, não é mesmo?
Mas, ao chegar em casa o caos foi constatado. Não tínhamos mais uma cozinha: tínhamos uma bela piscina azulejada cuja praticidade nos permitia comer e cozinhar dentro dela.
Na parede jaziam três palitos de dente, na fissura entre os azulejos, que davam uma aparência dantesca ao cenário. É claro que a curiosidade foi maior e nós tiramos um deles, para saber porque cargas d'água (desculpe o trocadilho...) alguém colocaria um palito de dente numa parede da cozinha. Tiramos o infame palito e uma pequena bica d'água jorrou, molhando a camisa do Ricardo.
A situação era deseperadora. Tinha água saindo até pelo bocal de luz da sala...
Nossa secretária do lar, a Aparecida (que sabiamente havia dado no pé), deixou um bilhetinho com algumas informações importantes para nós...
"Sr. Ricardo e André:
A cozinha está alagada. Tentei limpá-la, mas saía mais água da parede que do pano de chão. Liguei para o encanador, mas ele disse que não virá hoje, porque tem um compromisso. Amanhã bem cedo ele estará aqui.
Ass. Aparecida"
Maravilha! Até a manhã do dia seguinte nós estaríamos nadando para assistir televisão, nadando para ir ao banheiro, dormir nadando... Pelo menos economizaríamos banho.
Que fazer, então? Desligar a água que vinha da rua e esvaziar a caixa d'água! Ficaríamos sem o líquido precioso por uma noite, mas na manhã seguinte estaria resolvido.
Fui até o registro, que ficava perto do muro frontal da casa e liguei a torneira anexada à ele. Fechei o danado do registro e a água da torneira foi diminuindo, diminuindo até que, de repente, explodiu em fúria, jorrando litros por segundo...
A maldita torneira estava espanada.
Lembrei-me que na casa dos meus pais era costume amarrar a bóia dentro da caixa d'água para fazer limpeza. O Ricardo não cabia no buraco que dava para o sótão (onde estava alojada a caixa d'água) e adivinha quem mais havia para entrar lá?
Subi trazendo comigo uma débil cordinha velha para amarrar a bóia. A caixa era gigantesca. Feita com tijolos e cimento, devia ter uns 1500 litros dentro. E, para piorar a minha situação, a única parte que dava para entrar era estreita e perto do teto. E não era só isso: a bóia ficava na parte coberta, não sendo possível alcançá-la com o braço.
Resultado: tive que entrar dentro da caixa d'água para poder amarrar a bóia.
Quando fui entrando foi subindo um arrepio pela coluna. Eu estava entrando dentro de uma caixa de cimento escura e com a água gelada e sabe Deus o que mais podia ter lá dentro.
Até o pescoço com tanta água (literalmente) amarrei a bóia com alguma dificuldade e saí daquela situação horrível, finalmente.
Depois disso abrimos todas as torneiras e chuveiros da casa e esperamos quase 3 horas para esvaziar tudo. Sem falar nas algas que desciam pelo cano grosso e entupiram os chuveiros, e três das cinco torneiras que tinham dentro da casa...
Naquela noite dormi todo enrugado de tanta água, mas, pelo menos, dormi limpinho.
Aí vai então...
(Cátia! Estava com saudades... que bom que você apareceu!)

Além de eruditos, concerto para marimba de compositor brasileiro que já ensinou no Paraná


Mais de uma centena de concertos, ao longo de 15 anos, recomendam os Solistas de Câmara de Augsburg (Alemanha), que se apresentam em Curitiba, no Canal da Música, às 20h do sábado (07.ago.2004), com repertório que cobre do início do Barroco à Música Contemporânea – nesta se destacando a execução que a percussionista Babette Haag fará do concerto para marimba e orquestra de autoria do brasileiro Ney Rosauro, que já lecionou no Paraná e hoje ensina nos Estados Unidos.

Cada integrante dos Kammersolisten Augsburg é envolvido no processo criativo, aplicando os conceitos que o regente Hermann Meyer desenvolveu após atuar como solista de violoncelo em conceituadas orquestras, como a do Festival de Bayreuth, as sinfônicas de Hamburgo e Bamberg e a filarmônica de Augsburg.

Na primeira parte, serão apresentadas obras de Bach, Mozart, Donizetti, Schubert, Strauss e Dvorák. Na segunda atua Babette Haag, já chamada de “a mágica do mundo da música” pelo vigor emocional e pelo virtuosismo. O prestigioso Frankfurter Allgemeine Zeitung, por exemplo, diz que o concerto de Ney Rosauro oferece a ela ilimitadas possibilidades de demonstrar “suas imensas habilidades musicais – certamente, um certificado artístico!”

“Quando morava no Brasil, toquei com a Orquestra do Paraná durante o Festival de Londrina, no final dos anos 90”, lembra o atual diretor de estudos de percussão da Universidade de Miami. Também naquela época ele deu aulas em oficinas de percussão em Curitiba e uma vez tocou com Olinda Alessandrini no Teatro Paiol.

O concerto para marimba já foi executado por mais de 500 diferentes orquestras ao redor do Mundo, e os cinco CDs de Rosauro como solista receberam alta aclamação dos críticos, além do sucesso popular quando suas composições foram gravadas por artistas como Evelyn Glennie e a London Symphony Orchestra.

A apresentação em Curitiba é uma iniciativa do consul honorário da Alemanha, Hans Gerhard Schorer, para marcar os 175 anos da primeira imigração organizada de alemães no Paraná. Os ingressos estão à venda na Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, no Goethe Institut e na Livraria Urania, a R$25 e R$12,50 (meia), preços subsidiados pelos patrocinadores Bosch, Brose, Consórcio Servopa/Europcar, Siemens, Sinaes, Statomat, Schattdecor e Trutszchler.




Fonte: Enfoque Autor: Enfoque

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

kammensolisten Augsburg

Fui no Kammensolisten Augsburg!
E o Léo foi também.

(Só vou falar o que é o Kammensolisten Augsburg em outro post... para fazer cena, hehehe!)

Quarta-feira, Agosto 04, 2004

CARAMBA!

Essas últimas semanas foramb de matar! Nem tive tempo de ver quantas pessoas acessaram o meu blog... tá quase no 2000, né? ^^v

Well, ainda não estou com tempo para postar decentemente, mas prometo não abandonar os meus fiéis leitores, que são o que move esse blog.

Valeu!

Quinta-feira, Julho 08, 2004

Aviso aos navegantes:

Este blog ficará diferente em breve.

Como está ficando meio pesado com todos os posts à vista, resolvi fazer um "roll back" para 10 posts na página inicial. Então quem quiser ver a história da minha viagem, é bom dar uma lida agora...

No canto superior direito fiz umas modificações hoje. Coloquei uns sites de comunicação (uns que eu uso extensivamente, outros nem tanto), tirei uns sites que não estavam sendo atualizados mais (sinto muito, Rodolfo e Bigaiski...) e incluí o blog da Descalça, que eu conheci ontem durante o filme "Homem-aranha 2". Pode deixar que vou ler o teu blog regularmente agora, tá Decalça?

Meu Amor já está aqui em Curitiba. Estou bem melhor em (quase) todos os sentidos. Só o (mal)bendito sono que me tira as horas preciosas da minha vida... arrgh! Acho que vou ter que achar um estimulante e ficar viciado nele, senão lá se passam dez, 12 horas de sono (tempo desperdiçado...). Hoje acordei de mau humor por causa disso...

Ontem fiz o meu primeiro texto jornalistico aqui para a Enfoque. Nessas horas que tenho certeza que quero mesmo ser jornalista! Como sinto-me bem escrevendo notas, matérias e artigos... Claro que desta vez foi só para treino. O grande Bala, nomeado meu tutor pelo chefe, fez a revisão do texto. Falta uns retoques e pegar o "jeitinho" do texto jornalistico para ficar publicável, mas eu chego lá!

Quarta-feira, Junho 30, 2004

Ahh...

Estou cansado. Semana começou mal... nada funcionando... a culpa direcionada para mim...

Mas nem tudo esta perdido! O dia que eu esperava está pertíssimo!

Meio que estou com medo, meio que estou muito feliz.

Quarta-feira, Junho 23, 2004

Descobertas sobre mim...

Uma coisa que me deixa muito irritado é alguém dizer que sabe o que eu penso ou algo do gênero.

Como alguém que não é você sabe o que nem você sabe direito? As pessoas acham que tudo segue um padrão único e imutável (que geralmente é o que mais se adequa à sua comodidade). Eu digo:

SOMOS CAÓTICOS!

Não há dois grãos de trigo iguais nem duas íris com a mesma cor. Mas aproximamos as cores para algo mais confortável de descrever.

PSICÓLOGOS, ME ANALISEM!

Quarta-feira, Junho 16, 2004

Finalmente o Fotopic está funcionando. Parece que uma ou mais HDs deles queimou... e minhas fotos estavam justamente nela.

Arrumei o link para minha foto lá em baixo.

E meu blog vai ficando cada vez mais pesado...

Quarta-feira, Junho 09, 2004

Hoje, quarta-feira, apogeu de lua minguante. Eu.
Um dia antes do dia. Amanhã.
Outro dia antes de ontem. Palpitação.
Calma...
calma...

Segunda finaliza. Que as dores amenizem e que a aflição seja extinta.

Amém

Quinta-feira, Junho 03, 2004

Hodie tibi, cras mihi.

Quinta feira, apogeu de lua cheia.
Falta conscientização espacial em mim. Que horas são? Que dia é hoje?

Vamos por parte, então.

Hoje é 03 de junho de 2004. Amanheceu frio em Curitiba, com neblina e com o tempo fechado. Acordei tarde, mas ainda mais cedo que o de costume, às 7:30. Levantei de fato às 8:00. Não lavei a roupa suja nem a louça. Está por fazer a barba e a contabilidade pessoal do mês passado. O treino de capoeira começa neste sábado, a partir das 18:00. Vou me ferrar no domingo porque marquei treino para as 14:30 e terei que fazer um trabalho na casa da Márcia. Danou-se!

O importante mesmo é que serei feliz em breve. Mais rápido do que imaginava que seria.

Mas há responsabilidades implícitas....

Sexta-feira, Maio 28, 2004

Aí vai a entrevista na íntegra. Não corrigi os erros porque estava com preguiça (e é grande prá caramba).
Essa entrevista foi decupada de um fita microcassete da mesma forma que foi falada. Por isso não se espantem com alguns erros de concordância ou pensamentos iacabados, pois é a essência da fala coloquial.

Aí vai:
_______________________________________________________________________01 - Como Começou
A história é razoavelmente simples. Eu conhecendo a região aqui do norte do paraná, eu ouvi uma conversa que já teria sido fundo de mar. Eu que havia feito curso de administração, jamais passou isso por matéria trivial. O que que tá havendo? E um dia peguei uma pazinha e fui lá xeretar onde falaram. E realmente tinha uma conchinha. E aí começei a pesquisa.
Arrumei uma monografia do Clarke, que é a que vale até hoje, a que é lida até hoje, a mais completa. E foi na curiosidade que a gente foi coletando material e classificando e trabalhando a peça para que ela ficasse intacta porque é arenito, até um ponto que percebi que a monografia estava completa,
que tinha todas as epécies que constavam na monografia. Aí que eu resolvi começar com meu próprio trabalho. Que nesse meio tempo que eu começei a fazer... não daria prá fazer sem mais conhecimentos. E aí me ajeitei com o pessoal da UNEF de Botucatu, que tem a paleontologia e, principalmente a taconomia (porque que um fóssil é fóssil?). A biologia vai analisar um fóssil pelo lado biológico dele, como se alimentava, o aparelho respiratório, etc. A taconomia se preocupa em verificar porque que o fóssil se formou daquela forma, de morte natural, de morte acidental, tudo que é possível para se formar um fóssil.

02 - Aperfeiçoamento
Juntando esse conhecimento a respeito da taconomia, junto com o pessoal da UNEF de paleontoligia, aí vai ter mais pessoas de Londrina, Cascavel, São Paulo e de outros lugares, a gente foi se aperfeiçoando no assunto, e tendo conhecimento e tendo material seria até egoísmo da minha parte eu sentar e
ficar olhando na minha sala tudo colocadinho tudo bonito, só ali.

03 - Primeira exposição
E foi em junho de 2002 que a gente decidiu começar a mostrar e começamos as exposições com os fósseis marinhos devonianos. Foi um baita dum sucesso muito bonito e gostoso, afinal o Brasil não dá muita importância à paleontologia. Canso de ouvir aí que os franceses estão bancando não sei quem prá mexer não sei aonde; os americanos esão bancando não sei quem para mexer prá mexer com não sei o que...

04 - Exposições e incentivo
Então, a nível de Brasil, prá você ter uma idéia, a escarpa devoniana da bacia do Paraná é o afloramenteo mais perfeito do planeta, onde você encontra todas as espécies do devoniano. Tanto que eu encontrei todas e mais seis, que estou batizando ainda... Então por que não a gente dar uma maior importância prá eles? Afinal de contas, os trilobitas por exemplo, são os primeiros grupos de vida do planteta. Achar um dinossauro é fácil, quero ver achar um trilobita! A proporção... tetaculítico, que é
uma coisa minúscula por exemplo, ou uma planta que seja, desse período é muito difícil.

05 - Exposições
E essas exposições que eu fiz foram basicamente nas cidades que envolvem a escarpa.
No sentido de conscientizar, eu cansei de ver o ônibus encostando, o cara destrói os barrancos, pega os pedaços, leva embora, aquilo ali cai sei lá aonde, faz um trabalho de campo (as faculdades) e fica po risso mesmo.
Lugar como Tibagi, por exemplo, é outro afloramento perfeito, assim como Jaguariaiva tem afloramentos muito bons, Ponta Grossa. Tibagi tem um senhor de um museu, coisa mais linda, não tem nenhuma pedra do período devoniano, num museu construído em cima da escarpa devoniana, não é ridículo?

06 - Aposentadoria
A verdade é essa. Me aposentei e parti para esse lado, para levar um pouquinho de informação a mais. Hoje a paleontologia é assunto de televisão, de revistas, a paleontologia é uma coisa que fascina todo mundo, e continua seguindo.

08 - Incentivo
Incentivo, que eu saiba do governo não tem nenhum. As faculdades que fazem um trabalho de campo, mas chega lá acham duas "conchinhas" e fez o trabalho. Daí se forma em biologia conhecendo uma conchinha. Pera um pouquinho: a biologia estuda a vida. Nada mais interessante que você conhecer os fósseis
do s primeiros habitantes, quando começou a vida no planeta. Acho que é muito mais interessante que
um dinossauro, Spilberg faz os filmes dele, ganha oscar, tudo bonitinho. O devoniano não dá para fazer isso, né? Mas pô, é o começo da evolução!

09 - Hipótese devoniana
A gente tem uma hipótese do que seria o mar devoniano, tem muito para aperfeiçoar ainda, ainda tá engatinhando neste assunto, não tem nenhum Spilberg nessse perído. Mas tem a hipótese do mar primitivo. Alguns erros estão tentando corrigir, acertar, porque desse jeito que a gente vai aprendendo. E assim vai. Devagar está indo. Em breve sai uma nova versão da hipótese do mar. HIPÓTESE, né. Diferente do que tá na televisão, aí, da BBC de Londres que fala sobre as feras da pré-história, que para quem conhece paleontologia é brabo, né? É meio mal explicada. É uma coisa que não sei de onde tiraram.
Por isso que a gente fala que nós temos uma hipótese, que seria uma ... que estaria divulgando a hipótese do mar devoniano. Não só eu, mas todos os doutores de paleontologia não admitem uma coisa desse tipo.

10 - Crítica à tv
Aí o que acontece: na televisão a gente mostra uma coisa que não é bem o real, o que foi realmente.
A gente trabalha tudo em cima de hipóteses. Partindo do princípio que a gente está começando aí da a paleontologia, ela ta engatinhando. Não dá pra montar um seriado daquele tipo com toda a certeza do mundo que o bicho fazia isso, que o bicho fazia aquilo. É complicado.

11 - História e escala geológica
Pela escala geológia da vida, a vida no planeta apareceu na terra há mais ou menos há 600 milhões de anos atrás, na forma unicelular. Em 30 milhões de anos começou a predominar os trilobitas, seres com formas, tudo bonitinho.
Eles tinham o corpo dividido em três partes, que pertemcem ao grupo dos artrópodes, na vedade, os trilobitas seriam quase que (que eu intendo) mais ou menos um apelido. Tri porque ele dividia-se em céfalo, tórax e pigídeo ou, se você pegar na lateral também dividido em três partes, tri-lobita. Aí, junto com esses, na evolução, começou a surgir moluscos invertebrados, caracóis, caramujos, estrelas-do-mar, corais, pequenas plantas, conchas de muitas formas diferentes, e aí foi evoluindo. Quando chegou no devoniano, que encerra, com 395 milhões de anos encerra o período devoniano, aí os trilobitas já não existiam mais, já tinham se extinto, já tinha aparecido peixes, vertebrados, anfíbios, as
aves do mar, a terra já começou a parecer algumas plantas, meio rudimentar, mas aperceu algumas plantas e continua a evolução.

12 - Nossa escarpa
No caso da nossa escarpa ela trata até mais ou menos 395 milhões de anos, que encerra com o período
devoniano, e começa no cambriano. E ... nessa região toda em que encontramos os fósseis as mudanças
do planteta, tudo era mar. Jaguariaíva, Arapoti, Tibagi, Ponta Grossa, essa região toda era um braço de mar. As provas estão aí ao vivo e em cores para qualquer um ver, com atestado de autenticidade,
que eu faço questão desse tipo de coisa pra não, quem não vê e que não conhece colocar em dúvida é facil. Só por curiosidade, já chegaram a falar que eu fazia o desenho nas rochas. Grande habilidade!
Que artista que sou eu!
E tem espécies raríssimas, tem trilobitas de todas as espécies, peças totalmente nítidas.

13 - Oportunidade às faculdades
O pessoal de faculdade vem fazer um trabalho de campo, vem em um dia. Não é em um dia que você encontra todos os fósseis. Aí que coloco à disposição o meu acervo. Então eles tem a oportunidade de ver
uma estrela do mar, peças em três dimensões, que é muito difícil, geralmente você ve moldes e contra-moldes. As peças em três dimensões são muito raras eu tenho muitas delas, porque eu achei um afloramento dferente do que consta nos mapas, tenho... não me lembro quantas espécies, todas em três dimensões, são muito lindas, são mostras deste trabalho e também estão à disposição para pesquisa em site, começou dia 26, entrou no ar um site nosso.

14 - Site
Ali tem um pouco, alguma coisa do que nós temos. Só prá fazer vontade. Porque náo dá para colocar tudo também, que eu tenho um acervo completo muito grande. Nós até gostariamos de colocar mas não tem
condições de fazer isso, porque é muito custoso e não temos apoio de ninguém.

15 - Crítica à apoios
Já foi procurado apoio, mas quando fiz isso não se acreditava no que eu tinha feito. Depois de exposições, e depois de participar de feiras de ciências, semana s de cultura, etc., aí começaram a querer fazer alguma coisa. Mas esse alguma coisa que estavam querendo fazer, era só as glórias que eles queriam. Ninguém queria chegar e ajudar. Só que riam "eu te lancei, eu te descobri" ninguém me descobriu. Eu me descobri sosinho. Então hoje eu não sei, não sei se aceitaria apoio. Acho que não é bem o caso, me apoiar.

16 - Acervo mais completo do planeta
Consegui, tenho um acervo muito completo, mais completo do planeta em variedade, não em quantidade,
e apoio sim eu tenho agora a nivel de divulgação. Que além do site, a Brasil Telecom vai estar lançando em março a primeira série dos fósseis. A primeira ná sei de quantas, mas vai depender do que a gente colocar de mateiral em exposição, uma em março, certeza absoluta, outra em abril, também certeza absoluta, peças diferentes. O e o resto a gente vai ver. Voltando ao custo, se for legal a gente vai colocar mais séries.

17 - Preservação
E isso puxa outras coisas. A gente faz um trabalho na intenção preservar uma, que deveria ser um sítio paleonlogico, mas não é, infelizmente, então ealme de conscientizar o pessoal da importância que
tem, do valor que tem, principalmente as crianças.

18 - Outros campos de estudo
Aí começa a envolver mais trabalhos em cima disso, porque a gente acha coisas de arqueologia, coisas mais recentes, chama a atenção, a flora e a fauna, aí você começa a envolver muita coisa ao redor disso nos percursos que a gente faz, começa a achar muita coisa interessante.

19 - Preservação
Agora a gente vai participar de um projeto sobra a água, que a gente vê tudo devastado por aí, tudo
arrebentado. A idéia é juntar outros grupos. Enquanto estou procurando fósseis, por exemplo posso ver uma mina que está secando, posso pedir para o cara ir lá e plantar umas árvores. Se não plantar posso pegar umas crianças na escola, ir lá e plantar. Então começa a embolar tudo, vamos dizer assim.
E o principal de tudo, uma expressão que eu uso é que o passado mais o presente igual ao futuro.
Pois é, a gente estava falando aí de 600 milhões de 560 milhoes de anos atrás para formar um grupo,
algumas espécies. Aí o ser humano, com toda a sua inteligência, em questão de horas destrói tudo. O
passado a gente está estudando, o presente a gente tá vivendo. Vamos imaginar o futuro? É complicado. Meio grave.
A paleontologia vai nesse sentido.

20 - Paleontologia x Arqueologia
A paloentologia se refere à pré-história, a períodos mais longos. Enquanto a arqueologia são coisas
mais recentes. A arqueologia está falando de pinturas rupestres, de 12 mil anos, 14 mil anos, peças
de índios, jarros indígenas, ferramentas indígenas, 900 anos, as pirâmides, civilização inca, Maias, Astecas, isso faz parte da arqueologia. Quando a gente vai procurar fósseis, daí a gente vai falar
da paleontologia, são alguns milhões de anos a mais... o que difere é a idade.
Basicamente até o período holoceno, onde surgiu o homem, qundo ele começou a viver em comunidade é arqueologia. Antes disso é paleontologia. São coisas mais modernas, 12, 14 mil anos. Bem novinha! Bem moderninha, né? Achar uma pintura rupestre, então é uma coisa lindíssima e tem muito aqui na nossa
região.

21 - Projetos para o futuro
A arqueologia aqui da região, Castro, Tibagi, um pedacinho de Jaguariaíva, Piraí, já fizeram um trabalho muito bonito de arqueologia, tem sites, mas não vou saber agora o endereço, foi editado um livro que conta a respeito da arqueologia desta região. E esse ano, se deus quiser, vamos fazer um trabalho em Tomazina, Jaboti, Ibaiti e Wenceslau Braz. E também editar um livro, uma seqüência da mesma forma. Vamos supor "vieram..." contando a história dos índios até ali o mortim de Jaguariaíva. A gente vai pegar de Arapoti prá cá e continuar contando. E tomara que alguém cisme com isso e continue constando daqui pra cima, emendando livros. Daí a gente vai ter bastante informação a respeito da região onde a gente vive.

22 - Wenceslau Braz
Wenceslau: Vim fazer uma exposição aqui em agosto de 2002. Fiquei uma semana em exposição ali na loja da Maçonaria, pela secretaria da informação e brincava-se muito o pessoal comentava muito que aqui era cidade de aposentados, e como meu trabalho de paleontologia lá... completado não tava. Eu ia continuar escavando com certeza, mas não aquela necessidade de diariamente ficar escavando, me aposentei. Deixa eu mudar um pouquinho, né? Acrescentar alguma coisa, quer dizer, me dedicar mais à telecartofilia, né, à arqueologia. Estou aqui há quatro meses.
Realmente confirmado que aqui é a cidade dos aposentados. Bastante tranqüilo, um lugar bastante gostoso e com muitas riquezas naturais, muita coisa prá pesquisar. A nível de geologia, também, bastante coisas interessantes. E com certeza eu vou seguir isso daí.

23 - Formação acadêmica
Eu fiz até enfermagem, mas fiz só um ano. Fiz administração, depois especialização em geografia, geologia e paleontologia e agora começou no Brazil ano passado a Taconomia, que é o suficinte. Não precisa muito. Acho que o mais importante é, que eu comento muito em palestras que eu faço, é a curiosidade, a vontade, a dedicação, não são os livros não, tá. Acho que o trabalho de campo ele ficou extinto. No meu tempo tinha, hoje não se tem mais, mas acho que o mais importante hoje para se aprender é o trabalho de campo. Quando eu começei a respeito dos fósseis, eu vi lá os fósseis, vi imagens dos
fósseis, mas não é o suficiente. Eu tinha que ter contato com os fósseis. Acho que isso é em tudo.

24 - Opinião sobre "estudar"
Esses dias teve uma professora da geografia que, pela primeira vez, pegou um pedaço, um bloco de arenito do devoniano. No livro tá lá, um mapinha xiszinho é uma camada, bolinha outro planalto, cruzinha é outro planalto. E ali, no ao vivo e em cores, como que é? Então você não sabe como você vai ensinar? Todos os educadores deveriam ter esse lado. "Eu estudo geologia e nunca vi um diamante, na mão" cansei de ver isso. Faço geografia e nunca vi uma escarpa devoniana. Só ali nas folhas do livro não é o suficiente. Então é isso que eu tento passar também pro pessoal. Você tem a imagem do que foi te passado (em livros) e tem a imagem real. Então fica uma coisa muito mais perfeita. Principalmente
quando falam do futuro. Que o futuro da gente não é lá dos melhores... Hoje ou você ouve falar muito em arara em extinção, em onça em extinção. A paleontologia acredita que daqui a trinta anos não vai mais falar que está em extinção. Vai estar extinto, mesmo.
Agora, dá tempo? Não sei... se cada um fizer alguma coisa pode ser que recupere. Mas é complicado. É o futuro.

25 - Conscientização e Educação
Que nem eu citei, a gente foi vendo o passado... muito tempo, muito tempo a vida em formação. E ela
é perfeita. E o homem, que todos os seres, tudo se adapta à natureza. O homem é ao contrário: a natureza que tem que se adaptar à ele. Será que tá correto isso? É covardia...
É isso que a gente vai xeretando e tentando passar prás pessoas, essa perguntas, principalmente pros jovens, que tenham um futuro melhor, né.
Hoje nós temos a água ainda, purinha para beber e à vontade, na torneira e tal. Será que daqui a dez anos a gente vai ter isso?
São paulo saiu na tv lá que periga a virar uma cidade fantasma. Uma cidade com dezoito milhoes de habitantes corre o risco de ficar sem água. Como que alguém vai viver num lugar sem água?
Então se hoje a gente consegue abrir a torneira e tem, vamos tentar manter, pelo menos.

26 - Sobre a água
Hoje eu costumo ouvir o pessoal falando "não temos mais água. Está acabando a água do planeta". É errado.Há 4,5 bilhões de anos atrás tinha um volume de água que é exatamente o mesmo de hoje. Só que nós sujamos ela toda, nós acabamos com a água limpa. Na verdade ela tá aí. Ninguém tirou a água daí.
70% do planeta é água. Com esse detalhe: essa chuva que caiu agora há pouco pode ter sido a mesma chuva que caiu há milhões de anos atrás, a mesma água. Ela é exatamente a mesma. Não muda, não diminui nem aumenta: só poluem. Esse é o grande problema. Por isso que dizem qe está acabando a água. O que não tem mais é água limpa. Estão poluindo tudo. São alguns detalhes que as pessoas não percebem, que muitas vezes não entendem.

27 - Arqueologia
Agora, além de paloentologia, estou trabalhando também com a arqueologia. Como eu citei: enquanto você está andando por escarpas procurando a paleontologia você encontra outras coisas, no caso a arqueologia.

28 - Índios
E aí é um assunto muito curioso, a arqueologia aqui na nossa região, principalmente por causa dos índios. Tentar imaginar dentro do que deixaram, dos vestígios, como viviam, o que usavam, os costumes, etc. Eu avistei recente uma tribo em Urtigueira. Tem várias tribos ainda no Paraná. São todas bem civilizadas, nao olham mais para o sol para saberas oras, nao pisam em espinhos... Mas devem ter muitas tribos (no resto do Brasil)a descobrir. Que também tentar construir, passar a versão da gente, o
que a gente vê... principalmente em questão de tecnologia.
Os índios eram muito avançados a nível de tecnologia. Aerodinâmica eles dominavama, térmica, por exemplo. Isso prova o material que a gente encontra. E nao lembro de ter visto isso escrito em livro nenhum... Enquanto a Mclarem, a Williams se matam para fazer um carro de fórmula 1 perfeito em aerodinâmica, aquele rolo todo, o índio, com uma pedra esfregando na outra ele fazia uma aerodinâmica perfeita com as flechas dele. Apontava o alvo e era fatal, nao desviava de jeito nenhum. A térmica, também, uma coisa muito usada hoje em dia eles já dominavam há 900 anos atrás...

29 - Numismática
Fora a arqueologia, por acaso eu tenho uma exposição de paleontologia, numa ante-sala onde um grupo
aguardava a exposição das palestras tinha uma mesa quadrada de vidro com umas dez moedas, tudo da época do Collor, do plano verão, recentes, de 1988, 1990 umas moedas comuns. E a curiosidade que a garotada tinha em cima era fabulosa. Então eu tô preparando, está quase pronto, eu vou contar a história dos 9 dinheiros que teve no Brasil, desde os réis até o real de hoje. Contando porque que foi cortado os zeros, quantos zeros teriam hoje, como eram as notas, os nomes que deram, porque trocou, que
governo que foi, que nome deram para planos, que nada mais é que contar a história da inflação do país. Mostrar isso com notas originais, legítimas, moedas, etc. Então esse também é pra esse ano aqui, a numismática até a metade do ano sai. Já tem cartões telefônicos com os 9 dinheiros do Brasil... tudo para 2004.

30 - Futuro
Eu só programei esse ano. Que é arqueologia, numismática e, claro, continuar com a paleontologia. Tá no ar o site tá a disposição para pesquisa, grupos, quem quiser ver o material da gente ou ir pra escarpas, qualquer coisa desse tipo a gente está a disposição, a gente continua com esse trabalho do
jeito que está desde o começo, só acrescentando, já achei a diversidade toda da monografia e seis espécies novas. Então eu parei um pouco de escavar, diminuí a escavação e esse tempo eu estou preenchendo com a arqueologia e numismática, por enquanto. Aí 2005, 2006, deixa pra mais pra frente, pensar, né?

31 - Idade
Estou com 45 anos e acompanho bem a molecada no mato aí..., estou com as perna boa ainda!É um trabalho de pesquisa, independente de qualquer coisa aí, se admirar, acho que todo mundo devia fazer isso, para valorizar o qe tem, o que sobrou ainda.

32 - Religião x Ciência
E a paleontologia tem muito pra descobrir ainda. Eu, particularmente, não quero saber de jeito nenhum o mistério da vida. Eu simplesmente quero achar as espécies, os grupos, mais ou menos a evolução de tudo, e admirar cada vez mais o deus qe eu acredito. A natureza é fantástica. Deixou tudo ali pra
gente ver, mas nada aí a nivel de descobrir o segredo da vida. Nem tãopouco entrar em conflito com segmentos bastante importantes que é a religião. Que fala da criaçao.
Nós não temos absolutamente nada de atrito com religião, caso da criação, porque a gente estuda a evoluçao, entao a gente procura conciliar esses dois lados que eu acho bem importante também. Aí a gente consegue mais ajuda, como no caso do site que quem colocou no ar foi um evangélico. Ele jamais acredita em evolução. Mas ele acredita no trabalho que eu faço. Então a gente consegue juntar tudo. Nao ter "porque eu faço paleontologia e a pessoa é evangélica ele não vai participar" - não tem nada disso. Assim como eu atendo a religão dele, a gente conversa sobre a religião dele, sobre a paleontologia, temos nossas crenças mas não muda nada.
Sem atrito. 13 cidades, perdi a conta de quantas horas de palestra, mais ou menos umas 30 mil pessoas, nenhum momento nada, absolutamente, nada por estar falando em evolução. Nenhum conflito com criação, nada. Eu acredito que me preparei muito bem para isso. Sabia que era um assuto polêmico então me preparei muito para isso.
Então pelo contrário: já fiz exposições para colégios católicos, aqui em Wenceslau para o Tomás de Aquino, Piraí tem uma outra escola também que é católica, sem problema nenhum. E isso me deixa contente, ter me preparado tão bem para esse tipo de coisa. Ou seja: nao discuto de forma nenhuma.A gente
procura acrescentar à eles informações e procura deles trazer a informação sobre a criação, porque não? Os dois acho que são importante caminhar juntos.

33 - Telecartofilia
Telecartofilia é uma coisa muito interessante. Sempre fui apaixonado pela filatelia. Selos. Desde 76. Começei com a filatelia, muita coisa a respeito do Brasil, e isso insisto: numinsmática só faço do Brasil. Não sou patriota que é uma desgraça, né? Só escavaria num lugar do planeta: o Egito. Senão
só aqui no Brasil. Qualquer lugar no Brasil. Fora o Brasil nunca.
Aí os selos, em 95 começaram a colocar os orelhões com cartão telefônico, novidade, usar pra ver, ne? Aí comprei um cartãozinho, guardei o cartaozinho, outro gruardei, usava muito os cartões, daí percebi que se tratava muito mais que simples cartão pra telefonar. Que ele continha muitas informações. Aí foi quando eu percebi que montava séries, que falava sobre museus do Brasil, centros históricos, parques nacionais. Cada cartão tem um assunto, um tema. E juntando todos eles o que eu percebi, o
que eu tenho hoje em dia, é uma biblioteca. Sobre o Brasil praticamente completa. Me atrevi um dia a comparar com a barsa, tem mais informação sobre o Brasil e tem um detalhe: a Barsa se atualiza a cada 4 anos, os cartões no momento que acontece. Se tem uma coisa no mesmo mês está saindo o cartão. Então eu tenho a informação mais rápida. E são muito precisas as informações. Tem informações fabulosas.
Por isso que, confiando na telecartofilia como cultura é que coloquei meu material para isso. É totalmente confiável. As informações são precisas. E acessíveis por ter um texto pequeno. Foi daí que apareceu um sonho de lançar a série de fósseis marinhos devonianos. Será em março se deus quiser, a gente vai mandar convite a todos que for possível, vai ter o lançamento aqui em Wenceslau, não sei se
já aconteceu isso, se a Brasil Telecom já fez isso em alguma cidade, se a gente vai ser pioneiro, assim como sou pioneiro, sou o único no Brasil que se dedicou a fazer esse tipo de trabalho. Nunca ninguém se habilitou a fazer um trabalho desse tipo. Por que não ser pioneiro em ser a 1 cidade que se
lance uma série de cartões telefônicos. Então isso vai ser um privilégio, vai ser um orgulho.
Ainda em cartofilia, a gente incentiva muito a gurizada.

34 - Projetos de educação
Sobre o resto, eu faço tudo que uma pessoa normal faz, mas dosado, que me dê tempo de leitura. Eu leio bastante. E para a criança e o adolescente o cartão passa a ser uma leitura gostosa de ser feita. Você não precisa ler um livro todo de uma vez só. Você vai lendo aos pedacinhos e absorvendo lentamente, é um hobby, e vai absorvendo a cultura. Lentamente você vai largando hábitos que podem não ser tão bons, e a preocupaçào do cara de 12, 13, 14 anos com drogas, até a prostituição, muita coisa ruim.
Hoje eu tenho o meu barraco, como eu chamo, no momento que você está comigo tem duas aprendendo crochê, tem um lendo cartão telefônico aqui, daqui a pouco aparece um querendo jogar xadrez e assim por
diante. Esse é o passatempo. E o pretexto é a telacartofilia, neste caso. Automaticamente tem a paleontologia que joga informações em cima. E, independente do que falam, que só as grandes cidades tem
cultura. Não. As pequenas cidades como Wenceslau Braz, por exemplo, uma cidade que se mostra extremamente receptiva à cultura. Querem aprender mesmo. Eu prefiro muito mais palestrar, falar em cidades
como Arapoti, Sengés, que são cidades bem pequenas do que cidades grandes. Aqui se tem uma certa sede de cultura, onde eu acho que a secretaria de educação, turismo, cultura deveria voltar a atenção para isso. Temos aqui a paleontologia, geologia, arqueologia, telecartofilia que é praticada no mundo inteiro. Não precisa ser eu, tá? Façam alguma coisa.
Eu converso muito com o pessoal, a educação fica devendo muito. Então colocar alguma coisa a mais. Por mais insignificante, por mais inútil que possa parecer, é cultura e tem que ser feita.
Por isso que a gente poderia parar, me limitar à paleontologia, mas não. Continuo com outros temas,
acrescentar cada vez mais um pouquinho. Por mais que a gente tente estar acrescentando aí é pouco. Sei lá multiplicar por quanto isso para ficar bom, para ser bom.

35 - Xeretólogo e tutor
Quando me perguntam a minha foramação me identifico como "xeretólogo". Acho que é a melhor forma de
aprender. Quando eu falo xeretar é xeretar no campo, pesquisando em campo, aí você vê alguma coisa e vai para a biblioteca, você tem que estar sempre xeretando, entao eu gosto muito do termo xeretólogo, o curioso. Onde você vai adquirindo alguma coisa e repassando, onde sempre tem alguém acompanhando, normalmente em caminhadas, pesquisas, sempre tem grupos junto. Nunca se está só. Um dia vai 2, outro vai 3, então já perdi a conta de quantos. Daí alguém me encontra na rua e pergunta "não foi você que fez uma exposição de fósseis marinhos?" - quer dizer, eles podiam se lembrar de conchinhas, mas eles lembram, quase dois anos depois, como eu sendo a pessoa que fez a exposição de FÓSSEIS MARINHOS. Eu transmiti meu recado. Até crianças pequenas de seus 8, 9, 10 anos. É gratificante. Vale a pena mesmo.

36 - Há quanto tempo
Eu começei há 15 anos a xeretar a geologia, as rochas do Brasil.

O lançamento dos cartões será em março em conjunto com o encontro de telecartofilia (3 dias)

Estamos levantando todos os artesões da cidade.

Também so um artesão. Eu moldo gesso...

A monografia de Clarke é de 1913.
Para variar não publicaram um monte de coisas...
A foto não saiu e o box da matéria também não.
Abaixo o box de verdade:

_____________________________________________________________________
BOX DA MATÉRIA: BIBLIOGRAFIA DO CLARKE:

John Mason Clarke (1857 - 1925)

Geólogo, nascido em Canan-daigua, Nova Iorque em 15 abril de 1857. Foi
aluno em Amherst, e na Universidade de Gottingen, Alemanha. De 1881 a
1884 foi professor de geologia e mineralogia na Faculdade de Smith,
Northampton, Massachusetts, depois da qual ocupou uma cadeira
semelhante
na Faculdade de Agricultura de Massashussets , Amherst, e em 1886 se
tornou o paleontólogo assistente do estado de Nova Iorque. Publicou uma
série de trabalhos sobre o Devoniano da Europa e América do Norte entre
os anos de 1882 e 1886. Em 1886 assumiu o cargo de Paleontólogo
Assistente do estado de Nova Iorque. Na morte de James Hall em 1898,
assumira o cargo de Paleontólogo Estatal de Nova Iorque, e em 1904 se
tornou o Geólogo Estatal de Nova Iorque.
Em 1909, Clarke foi eleito o primeiro presidente da Paleontological
Society. Foi o presidente da Sociedade Geológica da América em 1916.
Foi
introduzido na Academia Nacional de Ciências em 1909 e era um sócio
honorário da Academia americana de Artes e Ciências, a Sociedade
Filosófica americana, e a Sociedade Geológica de Londres. Ingressou na
Academia Nacional ganhando a medalha Mary Clark Thompson de ciências
em
1925. Ele foi premiado com seis doutorados honoris causa dos quais o da
Universiy de Marburg em 1898 considerou o mais importante.
Os mentores de Clarke foram o Benjamim Kendall Emerson e von de Adolph
Koenen. Trabalhou com James Hall durante 12 anos na Pesquisa Geológica
de Nova Iorque.
Clarke foi estudante profundo de paleontologia; intérprete agudo da
significação da paleontologia em todo seu porte da história de terra ;
autor de muitas memórias significativas, especialmente das faunas
devonianas; administrador capaz e pai dos estudos do Devoniano
brasileiro.

Em 1913 John M. Clarke publica a monografia "Fósseis Devonianos do
Paraná" pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil.

Fonte:
http://pessoal.onda.com.br/bosetti/pesquisadores_ilustres_do_devoni.htm
Olha! Mais uma matéria minha foi publicada na faculdade!

Na matéria estava prometido a entrevista com o cara...
Bom, aí vai a matéria para vocês saberem o que rolou

____________________________________________________________________
Wilson
Paleontólogo estuda o mar devoniano no interior do Paraná.

O paleontólogo Wilson Alberto Tofanini estuda há 15 anos o período
devoniano (570 a 395 milhões de anos atrás), época em que surgiu a
vida
animal no planeta. Tudo começou como uma brincadeira. Wilson ouviu
falar
que parte do Paraná havia sido mar. Despertado pela curiosidade, o
então administrador de empresas resolveu sair a campo e ver por si
mesmo. E
realmente tinha uma conchinha. A partir daí, após uma pesquisa sobre
que especialização fazer, optou por uma pós-graduação em geografia,
geologia e, claro, paleontologia.

"Xeretólogo", como costuma autodenominar-se, escolheu para seus
estudos a região entre Ponta Grossa, Tibagi e Arapoti, onde existem
afloramentos ríquíssimos de fósseis devonianos. Hoje ele tem um vasto
acervo, com todos espécimes catalogados, segundo a monografia de John
Mason
Clarke (1857 - 1925 - Vide Box) , e mais seis novos espécimes, que ele
ainda vai batizar.

Tofanini, agora com 45 anos, atualmente escava com menos frequência. É
que o paulistano rendeu-se à calma e à receptividade do interior.
Resolveu mudar-se para Wenceslau Braz - PR, onde promove palestras e
exposições e afirma que o interior é mais aberto à informação que os
grandes
centros.

Além de "xeretólogo", Tofanini tem uma loja onde promove cursos de
artesanato, exposições de fósseis e trocas de cartões telefônicos, dos
quais possui extensa coleção. "Por confiar na telecartofilia como
cultura
é que disponibilizei meu acervo para isso. As informações são precisas
e acessíveis, em um texto pequeno."

Aproveitando-se da aposentadoria e colocando em segundo plano a
paleontologia, Wilson pretende iniciar um novo campo de estudos: a
arqueologia. "Enquanto você anda por escarpas procurando a
paleontologia você
encontra outras coisas, no caso a arqueologia." Ele pretende editar um
livro sobre a cultura dos nossos ancestrais e esclarecer sobre a vida
de
outros habitantes primevos: os índios. O paleontólogo fala com orgulho
sobre a sua relação com religiosos e afirma que nunca teve conflitos
com
eles. "Não tenho absolutamente nada de atrito com religião, nem mesmo
sobre a Criação, porque estudo a evolução a procuro conciliar esses
dois lados igualmente importantes ."



Veja a entrevista completa com Wilson Alberto Tofanini no site
http://lopan.blogspot.com/

Bibliografia

CLARKE, John Mason. "Fósseis devonianos no Paraná".Serviço Geológico e
Mineralógico do Brasil.1913.
http://geocities.yahoo.com.br/fosseisdevonianos/

http://arqueologia.cjb.net/

Quinta-feira, Maio 27, 2004

Meus olhos tremem suavemente
Sonham, úmidos e brilhantes
Voam, cada vez mais longe
Pousam em si mesmos, e são felizes.

Calam-se diante da efervecência
de tanta beleza e calma...
Abominam a cautela.
Voam mais e mais.

Veem a retina brilhante
mergulham na sua imensidão
percorrem sutilezas mil
apaixonam-se mais e ainda mais.

Dormem tranqüilos, sonham
Tocam o corpo
Suave...
macio...

Quarta-feira, Maio 26, 2004

Não estou com sorte mesmo com fotosites...

Mal criei uma conta no Fotopic e já deu problema no acesso...

Dei uma olhada no blog, aham digo Diário do Boto e acessei o link para o fotopic dele. Tinha algumas fotos em "manutenção também. Enfim...

Ontem fiquei emocionalmente mal à noite. Conversei bastante com uma nova amiga, mas entramos em assuntos emocionais e amorosos... acho que temos problemas e soluções muito parecidas.

Mas o que já estava machucando acabou sendo lembrado. Ainda hoje estou um pouco chateado com a solidão (velha conhecida). minha namorada está a 270 Km daqui. Telefone não mostra os olhos.

Chato...

Terça-feira, Maio 25, 2004

Como estou sem tempo e sem inspiração para escrever, aí vai mais uma foto minha (para os fãs...)

Van Damme

Terça-feira, Maio 18, 2004

Vamos então "traduzir" essa cantiga de maldizer:

Foi Don Fagundo un dia convidar
dous cavaleiros pera seu jantar,
e foi con eles si vaca encertar,
>encertar: tirar um pedaço de.
e a vaca morreu-xe logu'enton,
>logu'enton: Em seguida.
e Don Fagundo quer-s'ora matar,
por que matou sa vaca o cajon.
>Cajon: na ocasião.

Quand'el a vac' ante si mort'achou,
"Quando a vaca de fato morreu"
logu'i (e)stando mil vezes jurou,
"Ali do lado (o Don Fagundo) mil vezes jurou"
que non morreu por quan't eud'el talhou,
"Que (a vaca) não morreu por causa do pedaço que ele tirou"
ergas te foi no coiteio poçon;
"mas na faca havia veneno"
e Don Fagundo todo se messou,
>Messou: arrepiou os cabelos.
por que matou sa vaca o cajon.

Quisera-s'el da vaca despender
"Queria tirar um pedaço da vaca"
tanto per que non leixass'a pacer;
"de modo a não deixá-la morrer"
ca, se el cuidade si vaca perder,
"Com muito cuidado para não perder a vaca"
ante x'a der'a (quen-quer), assi non;
"que não tinha inteção (e quem tem?) de perde-la"
e Dou Fagundo quer ora morrer,
por Que matou sa vaca o cajon.

(Afonso Eanes de Coton)

É um caso de um fazendeiro avarento que queria dar uma "churrascada" para os amigos sem matar a vaca.

(...)

Será que acontecia com frequencia naquela época?

Sexta-feira, Maio 14, 2004

Estou apaixonado por português antigo... Olhasó que beleza:

Foi Don Fagundo un dia convidar
dous cavaleiros pera seu jantar,
e foi con eles si vaca encertar,
e a vaca morreu-xe logu'enton,
e Don Fagundo quer-s'ora matar,
por que matou sa vaca o cajon.

Quand'el a vac' ante si mort'achou,
logu'i (e)stando mil vezes jurou,
que non morreu por quan't eud'el talhou,
ergas te foi no coiteio poçon;
e Don Fagundo todo se messou,
por que matou sa vaca o cajon.

Quisera-s'el da vaca despender
tanto per que non leixass'a pacer;
ca, se el cuidade si vaca perder,
ante x'a der'a (quen-quer), assi non;
e Dou Fagundo quer ora morrer,
por Que matou sa vaca o cajon.

(Afonso Eanes de Coton)

Terça-feira, Maio 11, 2004

Ah! Que tão doce balança o sopro da música dentro de mim.
Parecia que agora já não importava a presença da minha senhora, a ceifa. Sofria calada a moça que de dentro para fora causa tanta importância.
Porque escrevo nesse espaço morto?
Talvez para poder agraciar minhas pálpebras com um pouco de saliva ocular. Talvez sentir a vibração crescer e tornar-se uma pequena ogiva, um explosivo mítico dentro de um corpo sólido demais.
Por que meu coração soluça mas não faz ruído?
Uma inquietação, um suspiro infernal que trota com minha razão, que transforma a pura e tranqüila expressão da vida menos formal.
Eu a quero. Eu a desejo. Não me importo com a sombra que abraça seus passos nem com a falta de sentido em seus versos vívidos. Deixe fluir...
O soprador chora sosinho na sala espaçosa. O poeta mastiga seus versos sem importar-se com o formão. A rubra face da passividade começa seu caminho de volta, à consciência, à tranqüilidade.
Mas não há nada lá fora. Não há casas de mármore. Não há dor. Não há fim.
Nada.

Sexta-feira, Maio 07, 2004

Opa!

Finalmente consegui (de volta) o endereço do blog do Bala.

Quem é esse?

Um dos joranalistas que trabalham comigo. Ele tem um blog no Tipos.com.br... respeitável!

Coloqueialidoladoó.

Quinta-feira, Maio 06, 2004

Olha só: Achei o blog do Rogger, do Ultraje a Rigor!
Não sei até onde uma celebridade pode colocar algo na internet e fazer todo mundo engolir que ela é ela mesma...

Será que quando eu ficar famoso o pessoal vai acreditar que eu mesmo que escrevo o Uga! Et genus omne?

Terça-feira, Maio 04, 2004

Querem saber que horas são?

Segunda-feira, Maio 03, 2004

Que coisa! Como a gente muda com o tempo...
Esse último poema não me diz mais nada. Acho que faz um ano e meio que o fiz.
Everything changes... but nothing change.

Ah! A propósito: o blog está visível na íntegra. Tenho que dar um jeito na acentuação, mas quem quiser matar a saudade ou ver o que o "ermitão" escreveu anteriormente, o convite está feito!
Subindo ao pé da montanha
seguindo o horizonte
correndo, mas sem entusiasmo
à vida perdida
solteira, sosinha
Ainda...
Nas tecnológicas vias da terra
frondosas matas de cabos e fios
Postes parcos num horizonte pardo...
É crepúsculo... noite...
Mais uma, mais duas, mais mil.
Seguem, tranqÜilas, cidades, maresia,
em sua rotina de dias normais
e iguais em forma e substância
Sopram com força e esperança
de conhecer a verdade...
e qual será ela senão nós mesmos?
E o que é a vida, senão uma oportunidade?
E quem é você, que não se liberta dos seus medos?
E quem sou eu, que não me importo com a sanidade?

Quinta-feira, Abril 29, 2004

Como diz um amigo meu: "O Chico Buarque tem 'as manha' de fazer letras"


Mulheres de Atenas
Chico Buarque - Augusto Boal/1976
Para a peça Mulheres de Atenas de Augusto Boal


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quandos eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obcenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas


1976 © by Cara Nova Editora Musical Ltda. Av. Rebouças, 1700 CEP 057402-200 - São Paulo - SP
Todos os direitos reservados. Copyright Internacional Assegurado. Impresso no Brasil

Quarta-feira, Abril 28, 2004

Ninguém...
Nem de perto nem de longe...
Visita-me.

Os que vem, não vejo

Os que vejo sou eu

Deixem comentários

Alimento meu

Quinta-feira, Abril 22, 2004

Tentei fazer uma pose "sexy" e veja no que deu...

Cantando

Não levo jeito prá coisa mesmo...

Terça-feira, Abril 20, 2004

daqui prá frente
alguns fragmentos de mim...
poucos, mas meus

Segunda-feira, Abril 19, 2004

Acorda...
Antes que eu esqueça
Que o dia recomeçou
Que tem tanta energia ao chegar.

Suporta...
Se o sonho acabou novamente
Repara o te êxtase
e toma teu café...

Segura tua dor pra você mesma
deixa esta balsa passar
deixa o barquinho levar
e senta de novo no parque, à tarde
ouça o som das crianças brincando
Acalma teu espírito
É a inocência no ar

Deita...
que teu sono é brando contigo
Coloca teu tênis de lado
Seu corpo acalma o leito revolto
Sua mente à espera
E hoje é amanhã de novo.

Sexta-feira, Abril 16, 2004

ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!

Sou o milésimo usuário a ver o meu blog!

Vou ganhar um prêmio, será?
Cadê meu blog? 404...

Quinta-feira, Abril 15, 2004

Então voltemos aos poemas
(deixem comentários... me sinto só.....)

Deixe fluir a força escrita da mente, absorta em devaneios, ansiando por expressar-se, transbordar
sua essência brilhante e pura como o petróleo pressurizado, tão avassaladora quanto o débil canto do pequeno pássaro castanho.
Solte o arco do pensamento e deixe voar a seta flamejante do sonho irreal que, como tal, rabisca a
efervecência do ar e do hidrogênio, gasoso e pesado, suavemente inalado pelas narinas do vulcão, ameno e frio.
Corra através dos bosques quentes, cheios de umidade e neblina, essa linda e pálida cortina, que desenterra os instintos de fuga e fazem a adrenalina forçar toda a musculatura e, assim, melhorar a corrida e a desenvoltura.
Pare.
Deixe de pensar e mover-se. De sonhar e de sentir. De observar e identificar-se. Deixe o receptáculo de espírito imóvel e empalidecido. Escute o coração. Ouça o silêncio. Faça parte de tudo.

Sábado, Abril 03, 2004

Ahhh! Agora meu blog vai virar um "emotionpan" ....

...

Certo. Não vai virar não....

Cantando

Sexta-feira, Abril 02, 2004

Pronto! Consegui colocar minhas imagens no blog!

Esse sou eu tocando no Vila Maria. Saudades...

mãos
Enfoque Grupo Enfoque

Muito Bem. Não faço a mínima idéia de como coloco uma imagem minha neste blog. Terei que salvar em algum lugar na net? Terei que salvar no meu computador e deixá-lo conectado na rede eternamente até que ele pife?

Só sei que, pelo menos a imagem acima (do meu trabalho) eu consegui colocar no ar. ar ar ar ar...

Terça-feira, Março 30, 2004

A propósito, acho que vou deixar de ser definitivamente Lopan para tornar-me o "Lopan da Capela".

Depois de uma pesquisadinha no google sobre Lopan, cheguei a essa conclusão. Muito lopan por mundo ao quadrado...
Uga!

Hoje é o dia da preguiça. Estou EXTREMAMENTE entediado.

Sei que não posso nem pensar em cochilar durante o dia, mas é inevitável. É só eu encostar um pouquinho em algum lugar macio (dependendo do dia até o chão parece macio...) e bam! Estou cochilando. E quando acordo lá se foi minha disposição e meu dia. Balela!

Claro que isso está intrisicamente ligado ao fato de eu não fazer exercícios frequentemente. E para mudar? Maldito ciclo vicioso...

No mais estou esperando com impaciência a chegada da páscoa, quando verei minha amada...

Estou cheio de planos, neste sentido. AINDA FALTAM DUAS SEMANAS! AHHHH!

Segunda-feira, Março 29, 2004

Estou feliz!

Essa foi uma ótima semana. O diretor da faculdade me pediu uma matéria, enquanto fazíamos um lanche na cantina da faculdade. Segundo ele, o jornal da ESEEI estaria carente de matérias e, como eu já tinha feito uma anteriormente, ele me fez esse convite.

Daí lembrei que tenho uma entrevista com um paleontólogo da minha cidade - muito boa por sina - que serviria para esse projeto. Em suma: deu um trabalhão passar os 60 minutos da fita para o computador, mas valeu a pena. Agora estou trabalhando na matéria propriamente dita. Isso aumentou o meu ânimo de forma fenomenal.

E, como dizem os comerciais, "e não é só isso!"

Estava meio mal semana passada por causa da minha namorada. Ela está lá em Wenceslau Braz, a 270 Km de mim, e isso não estava me fazendo bem.

Aí no domingo passado (21/03) decidi que a traria à derradeira para Curitiba, para perto de mim. Ela disse que teria que acertar algumas coisas lá antes de vir. A principal delas eram os pais. Como convencê-los de que ela viria para Ctba e não passaria a morar comigo (o que não é possível mesmo que eu quisesse)?

Mas, pasmem: O pai dela deixou!

A noticia me atingiu como um mar quente e aconchegante.

Por isso hoje estou transbordando de alegria. Primeiro porque estou confeccionando uma matéria para o jornal, ou seja, produzindo algo. E por outro lado essa notícia maravilhosa de que, em breve, terei a pessoa mais importante ao meu lado.

HÁ!

Terça-feira, Março 16, 2004

Hoje é o dia...

Começaram as aulas, realmente. Afinal, somente depois do carnaval é que todos começam a pegar no tranco. E olhe lá!
Estou realizando um sonho antigo meu: fazer um grupo de discussão decente. Praticamente copiei o estatuto de outro grupo (perdão... -_-') para botar ordem na casa.

O grupo terá uma temática por semana. nesta semana todos podem (e devem!) escrever textos sobre o assunto. No início pouco importa a qualidade dos textos (pelo menos para mim). O que valerá são as críticas, cada vez ajudando a construir um texto mais poderoso e coerente.

Meio utópico, né?

Mas pretendo fazê-lo funcionar nem que seja com mão de ferro. >:-|

Agora um presentinho direto do site http://www.chris.com/ascii/ para vocês:



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..................................................IMM__........................................
.................................................IMM"""........................................
................................................IMM.............................................
....................................Normand IMM Veilleux...........................

Quarta-feira, Março 10, 2004


Get free counter at Cgi2yoU.com


Olhem só isso!

Setecentosesetentaedois acessos.

Chuiff...

(Não contem para ninguém que metade dos acessos são meus...)
Deu tudo certo!

Depois de duas semanas de sofrimento e amargura consegui fazer funcionar o blog e o sistema de comentários.
Peço desculpas aos navegantes por detonar os comentários feitos nesses dias últimos, mas não teve outro jeito.

Devo agradecer ao Wendel que indiretamente me ajudou muito (Control + u na url http://hellonavi.blogspot.com/ e Control + u em http://lopan.blogspot.com/ ).

d:o))

Lopan

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

Finalmente consegui!

Instalei o novo sistema de comentários. Pena que perdi todos os comentários anteriores... mas o que importa é o NOW HERE.

Vou voltar a escrever regularmente aqui no blog. Pretendo inserir matérias, crônicas, contos e outros textos informais.

Aproveitarei para testar o conteúdo da matéria "redação jornalística" (da facul) neste blog, tentando incorporar a linguagem jornalística ao meu próprio estilo de escrita.

Como exercício reescreverei as matérias do dia e, a cada novo livro lido, postarei aqui a resenha ou o resumo da obra.

Pelo menos em tese tudo está muito bonito...

Vamos ver SE vou fazer tudo isso mesmo...

Veremos... veremos...

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

Pronto! Mudei tudo!

Já que estou de volta, vida nova, emprego novo e namorada nova, acho razoável mudar a cara do meu blog, também. Acho que já está na hora mesmo de aprender HTML...

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

Bom... Como o meu sistema de comentários está dando pau, estou oficialmente cortando relações com ele. Pena que todos os comentários feitos até agora vão pras cucuia.... mas é a vida de quem mexe com informática. Um dia é um sistema de comentários, noutro um vírus (no caso do binblows), e até mesmo a temida falha na trilha 0 da HD....

Então paciência...

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Ah! como é doce e dolorosa a volta à nossa capital, a cidade "que alheia aos males não sente" (como diz o Luiz), Curitiba.

Coisas novas estão acontecendo. Estou com um aperto no peito porque deixei alguém muito importante no norte do Paraná. Provavelmente a mulher da minha vida. Além disso estou também com medo dessa nova volta à correria.

Outra coisa que me atrapalhou os sentidos (clichê...) foi a eminente saída do Boiko do quarto 128. Provavelmente ele vá deixar o nosso reduto para morar em algum lugar mais próximo do centro politécnico... é uma pena não ter o Léo por perto sempre...

No mais...


ESTOU DE VOLTA!!!

Lopan da Capela.

Sábado, Julho 19, 2003

Well, well... acho que já é hora de dar uma aparecidinha, né?

Nesta segunda feira estarei partindo de Curitiba, pelo menos por um tempo. Vou reestudar tudo o que aprendi na facul e começar de verdade a minha trilha pela música.
Estou levando o material estudado durante esses dois anos e muitos outros livros, que em Curitiba não tive motivação para ler. Acho que ficar isolado no meio do nada pode ser estimulante para a leitura e estudo. Bem, na verdade é muito desestimulante para todas as outras coisas que me distraem aqui na capitar...

Mas mudando de bolsa pra maleta, ontem toquei num café no centro de Ctba. Foi muito legal! Meu irmão estava lá, o Léo, as duas Márcias (uma namorada do Léo e a outra amiga da faculdade) e até mesmo o Rafael Greca, ex prefeito de Ctba. Faço voz e violão e achei que ficou aceitável a minha apresentação. Só vai ficar boa quando estudar um bocadinho mais...

"no mais, estou indo embora, baby. No mais..."

Terça-feira, Julho 01, 2003

Aconteceu, finalmente.

Resolvi sair de Curitiba e passar uns dias no campo, no meio do nada, cuidadndo de mim. É claro que vai ser bem difícil e que sentirei saudades e insegurança, mas tudo isso foi calculado. O que me deixou meio chateado é ter que deixar o Léo sozinho no quarto 128, sem ninguém para dividir a ADSL com ele (R$ 120,00 por mês). Parece que ele vai migrar a página prá algum domínio por aí, mas ainda não sabe qual. Ah! Ele pediu opinião sobre o novo nome para a página.

Quanto ao resto... acho que está indo bem. Pedia a conta do emprego. Saí ontem e só volto para dar treinamento para a minha substituta. Estou saindo hoje da casa do estudante (;_;), mas pretendo voltar no final do ano.

Como conseqüência disso tudo não postarei no blog sempre. Acho que (talvez) dê para postar uma ou duas vezes por mês, já que onde vou não tem telefone. Só energia elétrica e água de mina. Ahhhh! Mesmo assim estou com um friozinho na barriga. Saber que vou embora logo e que já parei com tudo por aqui é meio assustador.

Mas tenho esperança que tudo dará certo. O que não posso é ficar parado, pois isso está e continuaria me matando.

Espero vê-los logo.

Lopan da Capela

Segunda-feira, Junho 23, 2003

"Aqui na terra estão jogando futebol/
Tem muito samba, muito show de rock n' roll/
uns dias chove, outros dias bate sol/
mas o que eu quero lhe dizer/
que a coisa aqui tá preta..."
-Chico Buarque de Holanda.

Me pego pensando, freqüentemente, em como seria o céu de Brasília, a temperatura, o cheiro do vento e da chuva...
Nas noites Brasilienses e na qualidade de música e músicos da capital.
Mas vejo olhos castanhos escuros.

Antes de dormir, olhando para o chão, fico pensando na solidão do meu quarto. Escrevo algo na parede para espantar os fantasmas e cerro os olhos para tentar dormir. Nada. Olho para debaixo do frigobar.
Vejo um par de brincos brincando comigo.

Acordo com mau humor. Não queria trabalhar ou acordar tão cedo. Me sinto estuprado. Caminho para o escritório como quem vai para o matadouro. Sento-me à frente de um computador, ligado à internet.
Vejo mãos ágeis de dedos compridos datilografando sem parar.


Tic, tic, tic, tic, tic, tic, tic...


Olho para mim e estou ofegante. Meus poros secretam algo macio nos meus ouvidos. Lembro-me a todo intante

Da vibração...

dos batimentos rápidos e descompassados...

da música...

Terça-feira, Junho 17, 2003

Olááá!

Estou animado hoje. Vi preço de conserto para o meu carro (quero vendê-lo, mas para isso tem que estar funcionando, né? -+_+-

Daí vim para casa e fiquei sem fazer nada, até que resolvi consertar o meu boneco do Evangelion (o eva 02) que estava com a perna quebrada.

O acidente aconteceu numa madrugada de 2002. O Eva (que estava há tempos sem o Pafúncio) resolveu se matar e atirou-se do alto da minha estante de livros... O Pafúncio pouco pôde fazer, visto que estava amarrado na parede do meu quarto, de cabeça prá baixo.

Enquanto o Eva era socorrido, Pafúncio continuava de cabeça prá baixo, pesaroso.

Dias depois, após um experimento para mudar a cor da sua pele, pafúncio tomba sob a força de uma tinta-spray, que derreteu os seus braços de Power ranger...

Estou falando grego? Explico.

Pafúncio é uma criação minha (bem antiga, por volta de 8 anos atrás). É um boneco de durepox com juntas móveis (tive que matar 4 power rangers e um noturno) com quatro braços e rabo segmentado (é uma daquelas pulseirinhas que o pessoal do rock gosta...). No próximo post explico mais sobre ele (tou sem enspirassão prá escrever...).
TO BE CONTINUED...

Quinta-feira, Junho 12, 2003

Teste de postagem...

A anteiror não apareceu no site ainda...

Quarta-feira, Junho 11, 2003

Faltei ao trabalho hoje. Minha chefe já mandou um recado de amor prá mim na recepção da CEU (Casa do Estudante Universitário). Quero que ela se foda.

Ontem pedi a conta do meu estágio. Estou lá há um ano e meio, mas nunca gostei de fazer o que faço ali. Porque?
Quando vim para Curitiba (1998, Dez) começei a trabalhar de office boy numa produtora de vídeo (comerciais para tv). Apesar do serviço ser ruim, aprendi a andar por Curitiba e conheci muitas pessoas e possibilidades. Gostava de lá. Perdi o emprego porque não tinha carteira de moto...

Depois disso trabalhei de boy (de novo) em uma metalúrgica. Era HORRÍVEL. Os meu chefes (24 e 22 anos) eram dois idiotas que ficavam fazendo sons guturais um para o outro e morrendo de rir com a desgraça alheia. PORCOS!!

Desde então, jurei pra mim mesmo que nunca mais iria trabalhar de boy. Adivinha qual é uma das minhas funções lá na agência?

Além disso fico puto quando o meu chefe, com aquele ar de pseudo-intelectual diz ou escreve asneiras do tipo "não posso estar consigo hoje..." (isso ao telefone) ou escreve nosso SEGUIMENTO de propaganda... etc. Briga comigo quando digo que há algo errado. >:-(

Minha faculdade (ainda acho que é, Léo) me informou que meu finaciamento (pagava 70%) acaba neste mês. Tentei vender meu carro pra pagar as contas e ele deu problema num troço caro do motor.

Agora tem um probleminha aí: Eu moro na casa do estudante porque faço faculdade. Eu ganho um benefício da Paraná Previdêcia porque estudo, e é o que paga meus estudos (and other things). Ou seja: se saio da faculdade minha vida desmorona completamente. Fico sem casa, sem grana, sem dignidade e sem vida. Porque me mato se isso acontecer.

Hoje não fui trabalhar porque acordei com vontade de deixar esse mundo. Estou muito cansado de tudo. Não tenho mãe nem pai pra pedir arrego. Ambos estão mortos. Meus irmãos têm vida própria, família e seus próprios problemas. Mais um não seria legal.

Não fosse a pianista (aquela do post anterior) que aparececu ontem e passou a tarde e parte da noite comigo não sei o que teria sido de mim. Só que ela vai embora hoje, daí fico sem ninguém de novo.

Não sei o que acontecerá. Não sei se acontecerá algo. Não sei...

Quarta-feira, Junho 04, 2003

A semana começou bem, até.

Novas idéias para contos, um pouquinho de motivação a mais...
A Simone me ligando com alguma freqüência... Ela vai estar aqui na segunda feira que vem. Que ótimo!
Encontrei com a mãe dela ontem. Bem inusitado: Eu me preservando da chuva forte em uma marquise e ela passa na minha frente. Foi bem legal tê-la encontrado sem mais nem menos.

Projetos perigosos, tramas eloqüentes, sonhos negros.
That's my life, no -w -here!

Segunda-feira, Junho 02, 2003

Semana horrível. Domingo pior. Mais só do que nunca agora. Pensamentos horríveis...

Quinta-feira, Maio 22, 2003

Ãhn!?!?

Estou meio perdido. Onde estou? Uma bolha gigante de luz negra?
Não, não.
Estou chupando uma laranja do R.U. que ganhei do Leonardo ontem. Nada especial. Para dar sabor estou colocando sal em cima dela. O sal está me dando palpitações. Nada especial.

Escutei uma música que a Sugar deixou disponível no blog dela. O blog do Wendel não está entrando e o cometário do Léo de hoje foi interessante. Ãhn!?!?

Estou meio caótico hoje. Chamei uma garota para conversar no ICQ e não tive resposta. Acho que vou jogar DOOM daqui a pouco. Gostaria que a Jú estivesse aqui.

O céu da minha boca tem uma marca sensível. Tira-se um trambolho de acrílico que mantém os seus dentes do fundo no fundo e o que sobra é uma marca sensível, vermelha e estranha. O filme foi bom ontem. Muita violência e contracultura. Sarcasmo. Egoísmo. Amor.

A rádio que escuto agora está palpitando também. Lopes? Você por aqui? Lógico que sei que você é uma alucinação. Desde o começo. Mas não tenho ninguém para conversar, então vai você mesmo. Aquilo!?? Nada que ninguém nunca vai saber em nenhuma circunstância.

Sonho sonho sonho, cadê?

Vou jogar DOOM mesmo. Ninguém por perto. Vazio.

Segunda-feira, Maio 19, 2003

UAU!!!!

Que semana!
O que posso dizer sobre tudo que aconteceu... vamos ver:

Na segunda-feira, ao voltar do trabalho, pus-me a pensar numa garota de Wenceslau Braz. Um dos raros casos em que sinto atração e aquele "quê", tão difícil de encontrar. E quando eu chego em casa? A Márcia me liga e diz que tem recado na secretária eletrônica para mim. De quem? Adivinhem... adivinhem...

Liguei para ela, mas ela não estava. No final do dia liguei e fiquei conversando algum tempo com ela, o bastante para combinarmos de sair no fim de semana. Well.

Terça-feira conheci uma garota chamada Simone no meu trabalho. Passamos a tarde juntos e, depois de muitas afinidades, ficamos amigos. Ela é uma mineira que passou a infância no Rio de Janeiro, a adolescência em Vitória - ES e morou em Brasília. Agora? Ela está numa turnê pelo paraná com um teatro evangélico (nada contra) e fica passeando pelo Brasil...
Além disso ela tem uma voz LINDA! Uma mistura de Sandra de Sá com Marisa Monte, mas com um suave veludo por cima... Ahhhh!
Ah! Ela tocava (toca) piano e Violão Cello (carinhosamente chamado por ela de "tchello"). Foi muito legal e inusitado conhecê-la tão subitamente. O resultado? Passei a quarta e a quinta com ela, conheci a sua mãe e conversamos até gastar o maxilar (cacofonia -_-').

Daí passei uma sexta-feira "light". Nada de novo e nada de diferente. Só uma queimaçãozinha no peito que não sabia o que era. Certo que o antigo-grande-amor da minha vida iria se casar naquele dia, mas estava até feliz por isso! Tenho muito carinho por ela e tenho vontade de vê-la feliz.

Só que meu subconsciente me traiu.

Na noite de sexta para sábado sonhei com a dita cuja (o antigo blá, blá, blá). Resultado? Acordei afetado e com dor-de-cotovelo. Fiquei meio chateado com isso. Não esperava uma reação assim da minha parte. Afinal tinha acabado há mais de cinco anos...

Dormi com lágrimas nos olhos. Ouvia uma música calma e lá estava a dor no cotovelo me fazendo chorar... que cena patética! O grande Lopan (Pffffff...) enterrado debaixo das cobertas sofrendo com um dor de cotovelo sem razão... Oh! Azar...
Mas foi uma sensação muito estranha também. Estava sensível, mas não triste. Uma miscelânea de alívio e frustração, de posse e desapego, um conflito constante. Estranho pacas...

E no domingo? Ahahahahaha!

Fui no Kendô com o Léo e fiquei quebrado.

E, à tarde, saí com a Juliana (a de segunda feira). Fomos ao parque, converamos, nos conhecemos melhor, fomos tomar um capuccino no shopping... e... bem...

Acho que dessa vez rola....

Segunda-feira, Maio 12, 2003

Está garoando. Tudo parace calmo e tranquilizado. É
como se a natureza estivesse relaxada, fazendo uma
hidromassagem ou tomando um banho quente. Um momento de
reflexão natural.
Os pequeninos pingos d'água caem quase como ma
cortina, uma aglomerado infinito de céu que desceu
para massagear a crosta terrestre. O som que esse tipo
de chuva emite traz calma, sossego, vontade de dormir
e sonhar gostoso com algo mágico e romântico.
Chhhhhhhhhhh!
As plantas movem-se suavemente com a não menos suave
brisa que movimenta a chuva, para lá e para cá... Os
pássaros estão quase todos em silêncio, exceto alguns
particularmente afeitos a aparecer e àqueles que estão
no cio, e desejam chamar a atenção das suas fêmeas.
As flores tomam cores vívidas e alegres, rosa,
amarelo, vermelho... todas indefiníveis, mas
aproximadas da realidade pelas limitadas palavras.
Dentro de mim outra chuva cai, essa tão calma quanto a
exterior, mas com uma dose de alegria que não encontra
representação, mesmo nessa maravilha que é a natureza
e a água.
Quando saio na janela a brisa agracia minha pele,
trazendo um gostoso arrepio e uma sensação de carinho,
aconchego e paz...
Torno-me parte da imensidão. Não sou mais eu, sou o
todo e o todo sou eu. Não mais me importo com a vida
ou comigo mesmo. Tudo é único. Tudo é particularmente
belo e traz consigo a beleza única do momento, do "now
here".
Continua chovendo...

Segunda-feira, Maio 05, 2003

Ah! Sugar... Que bom que você está aqui.

Decidi que se ninguém deixar comentários nos dias subseqüentes à postagem, não colocarei novos poemas ou textos.

São vocês que dão vida a esse blog. São seus comentários que o farâo renovar-se.

Lopan da Capela.
Ah! Como são doces os perfumes, deste suave avatar.
Se não fossem tão inquietantes e belos, talvez não me
sentisse compelido a cheirá-los freqüentemente.

Subo a árvore, sinto a casca áspera arranhar de leve
minha pele. Fico orgulhoso ao constatar que arde. Em
poucos segundos consigo galgar toda sua extensão. Cada
folha, cada fruto, cada reentrância.

Ela me acolhe, verdejante e receptiva. Afundo minha
face em um dos seus galhos, até sentir que estou preso
à sua gravidade. Onde é o céu, onde é o solo?

Meu corpo fica leve e flutua. Passo dentro de
emaranhados encantadores de galhos e por alguns
espinhos. Gosto de todos eles, porque compõem o todo
do arvoredo. Sem eles talvez não fosse a árvore tão
cobiçada e cativante.

Passo o cume dessa montanha verde, ascendo até não
mais sentir o cheiro da clorofila transpirando da sua
essência. Acima de minha cabeça o céu azul e muvens
alvas pairam, quase convidando-me a repintá-los, a
recriar a criação.

Nesse momento sinto-me como o dono do mundo, um deus
menor que está prestes a juntar-se aos seus pares e
tornar-se uno com o todo.

Mas...

A árvore...

Tenho saudade da força verdejante, da aspereza
protetora e do frescor calmante da sua presença.

Desço do céu...

Torno-me humano de novo...

Volto para junto dela...

Estou feliz.

Sexta-feira, Abril 11, 2003

Is anybody out there? Someone can hear me?

Where is the coments? where are my friends?

...

I'm alone, in the dark...

HELP ME!!!!
(só deixar um coment, custa nada!)
Hoje fui até o inferno.

Já tinha ido lá duas outras vezes. Escuro, com alguns gemidos tristes e solitários de quando em vez. Almas penadas olham fixamente para a única luz que lá existe: a janela pro mundo exterior. Só que a janela mostra sempre a mesma situação, a mesma realidade parcial e estéril.

As sucubus passeiam pela caverna, corrompendo, sugando almas, forçando as amarras. Mas também sentem. Também tem alma e vida fora do inferno.

Incubus, esses mais perigosos, disputam as almas com força intensa, provocando falsas preces e fortes lamentos, naquele espaço apertado e pouco confortável.

Fui levado por um incubus até a parte mais baixa do inferno. Tentou apossar-se da minha alma, mas ela estava predestinada a um ser mais antigo e astuto que ele.

Voltei ao meu lugar, tentando transcender a pequena janela pro esterior, mas em vão. Pouco pude ver além do que me era mostrado.

A minha volta muitas almas sofriam na sua solidão e autofagia. Via a todas elas. A súcubus veio, levou um pedaço pequeno da minha vida e me deu sua energia em troca. Fiquei com a melhor parte.

No saguão da sinceridade alguns seres que habitam o inferno dicutiam algo que igonoro. Curiosamente joquei meus restos humanos perto deles sem o menor pudor, e ainda cobri suas auras com meu sarcasmo e falsa inocência. Haha!

Saí do inferno. A luz me cegou completamente. Eu estava vivo, me sentia mais vivo por saber que abaixo de mim as criaturas das trevas viviam.

Eu estava na luz. Talvez fraca e sem brilho, mas estava lá. Chega de olhar para os anjos e ofuscar-me com sua potência e brilho. Chega de olhar os magos e saber que são hipócritas e convencidos de sua benevolência. Chega de lamber a sola dos pés dos "beatos".

Fico mais feliz ao ver que a vida ainda pode ser pior. Adeus amigos da escuridão. Outro dia vou visitá-los de novo...

Sábado, Abril 05, 2003

Mais uma vez. Digo a mim mesmo, só mais uma vez.
E se prolonga... prolonga... tenho vontade de não
parar.
Ouço os sons. O rosto transtorna. Arrepios correm da
cintura até a nuca.

Relaxamento.

Olhos nos olhos. Supernova. Faíscam, soltam seu brilho
pelo ambiente. Ouço os pensamentos. Sigo meu instinto,
com um pouquinho de maldade, sim...

E vem de novo. Só mais uma vez. Vai, solta parte de
si. Torna-se parte do todo. Eu gosto.

Os olhos cansados buscam as pupilas, dentro das
retinas. Relaxamento maior agora...

Levanta-se. Frenesi. Ritmo. É uma música entoada em
infrasom e ultrasom. É vibração inimaginável e bela.
Cabelos molhados, pele brilhante.

De novo. Só mais uma vez. Brilha a estrela pulsante
dos olhos. Apertados. Sentidos. Sentidos. Sensação.
Sudorese.

Desfalece. Volta a si. Está vivo e pulsante. Bombeia
forte o vermelho para os azuis...
Forte. Forte. Vem. Só mais uma vez. É bom. Eu gosto.
Deixa que aconteça! Mais forte. Ritmo. Vermelho.
Branco. Verde, brilhante. Escuro dentro de si. Tudo é
sensação. Cores a complementam. Luz amarela desvenda,
denota, sublima.

Desfalece e relaxa. Corre forte pelos azuis o
vermelho. Eu sinto. Eu noto. Eu gosto.

Vem de novo. Quantas vezes? Não inporta. Eu gosto.
NãO. Eu adoro. Quero mais. É pouco ainda. Mais. Mais.
MAIS...

Relaxa. Risos. Brisa musical. Som de contrações. Toca
em Si. Derrete sobre Mi. Quero mais. Não satisfeito.

Só mais uma vez, vai...

(Em homenagem a alguém que passou mas deixou marcas quentes e inesquecíveis no meu corpo e na minha alma)

Sexta-feira, Abril 04, 2003

Era tarde, e o chão cheirava a madeira.
E no céu nuvens brancas passavam, calmas.
Risadas ao pouco vento.
E, ao longe, via-se vales e montanhas
Sonhava-se com o momento
só importava o divertimento.

O calor aplacado pelo vento
a terra que manchava feliz os nossos pés
as árvores onde subíamos
o verde refrescante do momento.

Escurecem os céus e os ventos aparecem
O frio chega trazendo umidade
os primeiros pingos de chuva caem
dasabam litros da imensidade

a pele recebe a água acolhedora
o chão cheira a molhado
árvores agradecem aplacando a queda
é refrescante, e agora tudo cheira a mato.

Via-se ela, e deixe o sol de novo
deixa risos, deixa gozo
sonham crianças com novas chuvas

É noite, acabou a primavera
tarde e, cansados, banhamo-nos
Dormimos, sonhamos cantamos.

Sábado, Março 22, 2003

Quando o vento e a chuva derrubam a folha da árvore...

Chove, e na chuva que cai sonoros clamores ouço
Perto do muro branco, arruinado
Olhando ao longe casas coloridas
Sentindo o vazio, no campo, ao pé da árvore, colosso
Somando as roupas e o corpo molhados
Sozinho, ao vento, sem saber a saída.

Ninguém, ao passar, percebe essa desolação
Pálida pelo inverno gelado, a grama queimada de frio
O barranco esburacado por onde, há pouco, um menino subiu
E o barro escorrendo, vermelho, sem emoção.

Ainda o vento, querendo fazer voar, como no sonho...
Tristes noites de luar, pensamento medonho
Trazendo poder ao normal, sem par, sem igual.
Nas brumas da mente, um mar sobrenatural.

Parado, mas viajando quilômetros na fissura da árvore
De onde, na infância, saltava para demonstrar coragem
Amigos passados perderam o sabor, na margem
Desse barranco vermelho, que dá na rua abaixo
Lugar de casas pobres, pessoas humildes, eu acho
Mas perto de pequenas, porém luxuosas casas de mármore.

Vejo, ainda, um lugar onde havia mato...
Hoje um espaço aberto, desolado,
Onde o ventou uiva sagrado.

O céu já está vermelho, crepúsculo...
Morcegos invadem a tarde.
Luzes brancas projetam sombras negras.
E o vento soprando forte, robusto...
O frio corta a pele, o corte arde
E a mente sonha com paragens amenas.

O muro branco ainda está lá.
O portão enferrujado é quase um convite
Defronte ao campo desolado.
A chuva findou, mas nas ruas...
Neblina...

Entro com cautela.
Lá dentro não venta e o som se omite.
O cheiro da chuva recente e do chão molhado.
O som dos meus próprios passos soam
como algo distante, nessa pálida cortina.

Continuo a rua rua principal
E, com perseverança e medo, chego aos pés da grande cruz.
Abaixo a cabeça, penso nos meus.
A quietude lá é tão normal...
Algumas lâmpadas na rua distante ainda reluzem.
O pensamento sem fugir de Deus...

A volta é lenta, insegura.
Olho para os lados, na penumbra.
Saio de dentro do muro, lá fora, tudo escuro.
O vento a fustigar meu corpo
que treme, a mão dura.
E a sensação de vencer coisas estranhas, ocultas
Sobrenaturais, incríveis, que se escondem dentro do muro
Cheio de antigas vidas, o sonho morto.

Permanece a vontade
de sentir a eternidade
desse lugar fascinante
de medo constante

E inexplicação inevitável.

Quarta-feira, Março 19, 2003

Bom, está aí o final da história. Talvez tenha frustrado alguns leitores (poucos, mas muito queridos por mim) com uma história talvez pouco hollywoodiana... Mas como diria chicó:
"Não sei... só sei que foi assim"

Agora, terminada a história, tenho mais liberdade para colocar outros trabalhos meus aqui, além de "viajar" bastante com as coisas do meu nada especial cotidiano.

Agradecimentos especiais ao Boiko, que me agüenta aqui no quarto o tempo todo, ao Snakearow (desculpe se errei o nome...) por estar interessado na história, a Sugar, que tão delicadamente deixou sua marca no final da historia, sem a qual não escreveria novamente e a todos os que ajudaram direta dou indiretamente para que esse blog e meu humor melhorassem...

Thank's!

Terça-feira, Março 11, 2003

Isso sim é viagem! (Parte VII)

Fui até o guichê da Empresa de ônibus Jóia e fiquei aguardando atendimento. Não tinha absolutamente ninguém lá dentro, nem para me atender nem para cuidar do estabelecimento. Lá fora um ônibus deles aguardava o horário de partida.
Depois de alguns minutos de espera (atrás de mim ia se formando uma pequena, mas irritada fila) o atendente voltou e começou a vender as passagens calmamente. Acho que isso é uma constante no ofício dele...
Fui comer alguma coisa. Pensava em almoçar com dignidade, mas os preços não me animaram. Resolvi comer um "capotado de frango", prato típico mineiro, acho. Depois degustei um risólis de carne. Uma maravilha.
Fiquei aguardando meu ônibus, sentadinho no banco inerno da rodoviária. Resolvi ligar para o Leonardo para dar notícias.
No telefone contei por cima o que tinha acontecido e declarei que chegaria em Wenceslau mais cedo do que esperava. Desliguei. Apesar do incômodo sentimento de culpa que teimava em ficar no meu peito, a expectativa da chegada era maior. E, afinal de contas, tinha reunido coragem suficiente para tentar a viagem. Sabia que superar essa marca de 60 Km precisaria treinar mais a sola dos meus pés. Tinha aprendido e conhecido muitas coisas. Os sapos que me fizeram companhia à noite, os meninos pescadores que me cumprimentavam da pequena represa abaixo da rodovia, o senhor que gostava de tomar água e era cortador de grama. Enfim, pessoas e coisas que mudaram algo dentro de mim. Que me tornavam mais forte, mais vivo e mais feliz.
Sentei-me, novamente, para esperar o ônibus. Algumas pessoas sentavam-se ao meu lado, sem puxar conversa. Eu estava cansado demais para tentar fazer novos amigos. Mas o tédio tomava conta de mim nesses fatídicos minutos que precediam a minha saída de Jaguariaíva. Não me acostumava mais a ver paisagens estáticas, imóveis. Minha vida era movimento. Era passageira e dona de uma simplicidade emocionante.
Depois de eternos minutos o busão chegou. Dirigí-me rapidamente para minha poltrona (um pouco preocupado com meu cheiro, afinal não havia tomado banho desde a manhã de Sexta feira, e o fato de caminhar aquilo tudo não ajudava muito...) e ali fiquei, com muito sono mas com um impulso de curiosidade que o superava. Abaixo da minha janela algumas pessoas amontoavam bagagens e, aos poucos, iam subindo para as poltronas do ônibus.
Mas... espere aí! Eu conheço aquela moça! É a Rosane e o seu marido!

Bom, vamos por partes.

Quando eu estudava no Sebastião Paraná (escola secundarista de Wenceslau Braz) eu tinha muitos amigos. Alguns deles faziam companhia na ida e na volta da escola. A Rosane era um deles. Pessoa muito gentil e inteligente, vivia dizendo que não encontrava seu "par ideal" e, por isso, sofria um pouco. Perdi o contato com ela depois que fui embora para Curitiba. Entretanto sempre que me via (quando fazia minhas visitas à Wenceslau) me recebia com alegria e saudade, o que sempre me comoveu muito. Enfim, uma amiga ímpar e a quem presto muita devoção.

E lá estava ela, amontoando suas bagagens e preparando-se para pegar o mesmo ônibus que eu. Saí na janela e a chamei. Ouvi um "não acredito" vindo dela que, logo depois, veio sentar-se na poltrona imediatamente atrás da minha. Conversamos um pouco, contudo moderadamente uma vez que o marido dela estava junto e não fazia a mínima idéia de como ele ia se comportar ao conhacer um "amigo do colégio" dela. Parecia um pouco apreensivo, mas tentei ao máximo incluí-lo na conversa e tentar fazer com que ele se sentisse confortável com a minha presença. Depois de alguns minutos de conversa resolvi não "forçar muito a amizade" (expressão comum na minha terrinha) e tratar de descansar um pouco.
E o ônibus ganhou a estrada, subiu a pequena serra de Jaguariaíva e ultrapassava os inúmeros buracos na estrada (ou seria melhor chamá-los de crateras?). Ao meu lado sentou-se uma senhora de idade que cuidava de duas meninas lindinhas e inteligentíssimas, sentadas na poltrona logo à nossa frente. Conversei razoavelmente com ela, o bastante para saber que as meninas eram paulistas e suas netas, e que iam passar uns dias com ela, em calógeras (uma vilazinha situada há uns vinte quilômetros de Wenceslau Braz).
Como me diverti com as meninas! Logo que viram que eu conversava com a "vó" delas, começaram a fazer umas piadinhas de adivinhação comigo. Como tenho um bom repertório de adivinhações, consegui divertí-las também, até quase o ponto onde desciam, finalmente.
Quando desceram do ônibus fiquei com uma sensação de perda bem grande, ao mesmo tempo que sentia orgulho daquelas garotas espertas. Fiquei a pensar: "gostaria muito que minhas filhas fossem espertas e sapecas como essas duas". Sempre tive vontade de ter filhos. Mas, se pudesse escolher, queria ter uma filha. Acho mais "bunitinho".
Ao mesmo tempo fiquei pensando o quão ruim seria se o mundo e as circustâncias tirassem aquela espontaneidade e abundância de vida dos olhos daquelas garotas. Infelizmente acho que isso é bastante provável...

E as pessoas iam descendo do ônibus e tomando seu rumo, enquanto eu ficava cada vez mais ansioso quanto à minha chegada. Logo a paisagem foi ficando familiar e meus olhos tornaram-se úmidos. Chegara em casa...
Logo a subida da mina de água potável... logo o trevo de tomazina, a curva da outra mina e da "grota" onde gostava de entrar na infância (e até hoje acho bem bacana), o barranco da zona (... também brincava por ali... mas era na infancia!) e, finalmente, a borracharia, lugar onde descia sempre quando meu pai ainda era vivo. Desta vez iria até a rodoviária. Passávamos pelo viaduto sobre so trilhos do trem, lugar onde tirei um doido de um amigo meu que queria se matar... Desse um tiro na cabeça, pombas! Pular de ponte, além de não ser muito criativo, podia não ser muito eficaz, também...

O trevo da rodoviária. Um letreiro enorme, em cimento, escrito: "Wenceslau Braz". Nos pés do marco de cimento uma pixação em vermelho: "Louis e Lana" - "Brujah". Ê Gila! Coisa feia ficar pixando sobre um relacionamento furado!

A Rodoviária. Em meu peito uma sensação de alívio e de bem-estar. Estava em casa. Estava feliz.

Segunda-feira, Janeiro 13, 2003

Isso sim é viagem! (Parte VI)

Depois de falar ao atendente sobre a minha triste situação, fiquei ali, esperando que uma boa alma me desse carona, pelo menos até Ponta Grossa.
Fiquei observando os frentistas e não consegui identificar nenhuma ajuda por parte deles. Começei a passar pelos caminhoneiros que por ali paravam. Era custoso ficar andando para lá e para cá com aquelas bolhas no pé. A resposta dos caminhoneiros era quase a mesma, com algumas pequenas variações, mas com o mesmo sentido:

-Não vou para Ponta Grossa.

-Não posso dar carona.

-Oh! Sinto muito! Estou indo na direção contrária...

Desisti de ficar ali ruminando as mesmas respostas e decidi ficar ao lado da rodovia, fazendo o sinal já conhecidíssimo de carona. Nada. Passavam vários caminhões por ali, mas nenhum dava sinal que queria parar. Não os culpava. Deviam temer bastante assaltos e bandoleiros por aquelas bandas.
Saí da frente do posto e fiquei parado numa guarita, pouco depois da saída dos carros para a rodovia. Continuei fazendo o afamado gesto, mas sem resposta. Depois de mais ou menos meia hora desisti e voltei para o posto, com o intuito de pegar um ônibus, sentido Ponta Grossa, no primeiro horário que tivesse.
Atravessei o espaço que separava a rodovia da lanchonete do posto (cerca de 300 metros) e, depois de ver o horário de ônibus para Curitiba numa folha pregada no vidro, perguntei ao caixa do posto se sabia os horários de ônibus sentido Ponta Gorssa. Me respondeu que não sabia, mas perguntou a um frentista que por ali passava, e este me deu a fatídica informação: O proximo ônibus sairá às 4 da tarde. Puxa vida! Ainda eram 10:30...
Agradeci e fui procurar carona novamente. Segui um impulso, que julgava insano, de pedir carona para alguém que dirigisse carros pequenos. Minhas chances eram quase nulas. Mas existiam.
Assim que fui para perto dos carros, de frente para a lanchonete, saiu um senhor, aparentando uns quarenta anos, e foi adentrando uma S-10 que estava parada por ali. Fui ao encontro dele.

-O senhor vai para Ponta Grossa?

Me olhou com um olhar desconfiado, mediu-me da cabeça aos pés, mas me respondeu.

-Vou.

-Quanto o senhor cobra para me levar até lá?

Estava numa situação difícil, e por isso não media esforços para sair dela.

-Você está vindo daonde?

-Curitiba - respondi prontamente

-Mas como veio parar aqui?

Era uma pergunta inteligente. Como um rapaz de mochila nas costas havia parado sosinho naquele fim de mundo? Resolvi ser o mais sincero possível.

-Vim à pé...

-Mas por quê?

-Queria fazer uma "loucurinha" de fim de ano. Uma aventura.

-O que você faz em Curitiba?

-Estou cursando faculdade de jornalismo, e faço estágio numa agência de publicidade.

Ponto para mim. Isso era um bom currículo.

-Está indo para onde?

-Para Wenceslau Braz. Conhece? - assentiu com a cabeça - é minha cidade natal, e pretendo passar o natal entre os amigos e a família. O senhor me levaria até Ponta Grossa para pegar um ônibus?

-Entra logo aí...

E fui. Todo feliz por ter conseguido carona e por ele ter acreditado nessa história mirabolante. Apesar de ser a mais pura verdade, era algo a se desconfiar. Afinal, não é todo dia que um louco sai de Curitiba para caminhar mais de 300 Km, ou é?

Saímos do posto e ganhamos a rodovia. A S-10 era bastante confortável e, pouco depois da nossa saída, ele colocou um CD para ouvirmos no caminho (ignoro qual fosse).
Os arbustos que cercam a rodovia foram passando cada vez mais rápidos. Nessa hora me deu um arrependimento, bem lá no fundinho, de não ter conseguido ir à pé e ter pedido carona. Mas me confortava o fato de dormir ao léu, conhecer paisagens diferenciadas e ter tempo de falar com meu íntimo, um desconhecido para mim nesses últimos tempos. Além, é claro, de conhecer melhor os meus limites e capacidades, coisa que queria saber há tempos.
E o carro continuava galgando a estrada. Fiquei imaginando e medindo a distância de onde estava até o rio Tibagi, lugar onde pretendia finalmente descansar. Como era longe!
Comecei a puxar conversa com o cara, porque ficava chato eu pegar carona desse jeito e ficar ignorando meu benfeitor. Comecei a indagar-lhe (eu também tinha esse direito, pombas!) sobre sua vida, de onde vinha, sua idade, profissão, destino... essas coisas que a gente pergunta quando não tem muito assunto interessante para conversar. Não perguntei seu nome. Acho que devo ter algum tipo de superstição em perguntar o nome das pessoas de prima. Talvez porque não dou muita importância a nomes...
Mas o fato é que o cara tinha 49 anos, trabalhava sabe Deus com o quê, era natural de Brusque - SC, mas tinha ido à Curitiba fazer sei lá o quê, e dirigia-se para o estado de São Paulo, para uma cidade que igonoro qual seja. Sim. Ele era fechado.
A parte legal da sua personalidade é que, por dirigir muito bem (dava para perceber), ficava bravo com os outros motoristas que dividiam a rodovia com ele. Chamava-os de "motoristas de fim de semena", enquanto maldizia suas habilidades e irritava-se com suas manobras infelizes.
Depois de passar(finalmente) pelo Tibagi, depois por Vila Velha, chegavamos finalmente em Ponta Grossa. Apesar do descanso, ainda sentia a sola do meu pé latejar.
O cara passou pela primeira entrada de Ponta Grossa. Eram 11:15. Tudo bem, podia parar em qualquer outra entrada que eu daria um jeto de chagar à rodoviária. Passou por mais uma.

-O senhor pode me deixar em qualquer entrada, que dali consigo chegar até a rodoviária.

-Não, não. Vou te levar até Jaguariaíva. Só não te deixo na porta da tua casa porque a estrada daquelas bandas é um lixo.

Aquela notícia era muito boa! Iria de carro até Jaguariaíva! De lá eram só 60 Km até Wenceslau. Iria economizar uma grana de passagem.
Dali em diante, com o humor revigorado, fui xingando junto com ele a situação precária da rodovia Parigot de Souza, trecho que liga Ponta Grossa a Ourinhos - SP. Um eixo de ligação importante que está abandonado pelo governo e pela Rodonorte há anos.

Cidades foram passando e já não prestava mais tanta atenção à paisagem. Estava com sono. Lutava comigo mesmo para não dormir, usando como arma o diálogo com o motorista.
Depois de algum tempo e, diga-se de passagem, de muita velocidade, chegamos em jaguariaíva. A cidade-lombriga (porque fica num vale e cresceu só em linha reta, sem expalhar-se para os lados) estava calma, com aquele povo humilde passeando nos arredores da rodovia. Na primeira entrada ele virou, tomando o sentido para Sampa. Depois de mais uns três quilômetros declarei que estava bom por ali e ele parou. Na verdade me preocupava a situação dos meus pés, e ter que descer até a rodoviária não seria lá muito prazeroso.
Antes de descer do carro, perguntei-lhe quanto devia para ele. Fez um gesto de "deixa disso" e disse que não devia nada. Agradeci da melhor maneira que pude e o vi partir com o mesmo desapego com que me deu carona lá no posto. Que figura esse Catarinese que morava no estado de São Paulo mas estava em Curitiba. Foi legal ter passado algumas horas com ele.
E lá estava ela, imóvel, cheia de desafios, imponente: a descida para a rodoviária.
Como já tinha acontecido na estrada, antes da minha última parada, os primeiros passos eram a mais pura expressão da agonia em vida. Rezava para que acabasse logo aquela descida e pudesse pegar meu ônibuzinho para Wenceslau.
Mas valeu a pena a descida. Explico: Sempre que passava por Jaguariaíva, ia da rodovia até a rodoviária (cerca de 12 quadras da estrada) e voltava pelo mesmo caminho junto com o ônibus. Ou seja, não conhecia o restante da cidade-lombriga nem de longe.
De onde estava, pude ver o que por lá chamam de "cidade alta". É completamente diferente do resto da cidade. Podia identificar, mesmo à distância, muitos prédios antigos e um aglomerado de casas e pontos de comércio incomum para uma cidade pequena. Era muito bonito a vista do lugar onde estava. Continuei a descida.
Após muito sofrer naquele cruel declive, pude finalmente chegar em um lugar mais plano. Dali via a antiga estação ferroviária. Esse trecho de estrada de ferro foi desativado, e já faziam alguns anos que não se via nenhum trem sobre aqueles trilhos tão antigos. Fiquei observando a estação um pouco, antes de sofrer com mais uma descida...
Depois de descer por um fino lábio de terra, cercado por uma grama verdejante e íngreme, cheguei finalmente na rodoviária. Que alívio! Fui até a empresa tristeza da morte, digo Princesa do Norte e perguntei qual o próximo horário de ônibus para Wenceslau.

-13:45 - disse o atendente. - Só que é em pé.

-Nem pensar! Qual é o próximo?

-Olha, melhor você comprar ali na Jóia (outra empresa). Lá eles tem ônibus menos lotados. Melhor que ir em pé, não é?

Mal sabia ele a diferença que fazia para mim...
12:35. Comprei a passagem e aguardei a chegada do "busão".

Não saia daí! Amanhã teremos mais um capítulo da nossa novela. Até lá...