Aí vai a entrevista
na íntegra. Não corrigi os erros porque estava com preguiça (e é grande prá caramba).
Essa entrevista foi decupada de um fita microcassete da mesma forma que foi falada. Por isso não se espantem com alguns erros de concordância ou pensamentos iacabados, pois é a essência da fala coloquial.
Aí vai:
_______________________________________________________________________01 - Como Começou
A história é razoavelmente simples. Eu conhecendo a região aqui do norte do paraná, eu ouvi uma conversa que já teria sido fundo de mar. Eu que havia feito curso de administração, jamais passou isso por matéria trivial. O que que tá havendo? E um dia peguei uma pazinha e fui lá xeretar onde falaram. E realmente tinha uma conchinha. E aí começei a pesquisa.
Arrumei uma monografia do Clarke, que é a que vale até hoje, a que é lida até hoje, a mais completa. E foi na curiosidade que a gente foi coletando material e classificando e trabalhando a peça para que ela ficasse intacta porque é arenito, até um ponto que percebi que a monografia estava completa,
que tinha todas as epécies que constavam na monografia. Aí que eu resolvi começar com meu próprio trabalho. Que nesse meio tempo que eu começei a fazer... não daria prá fazer sem mais conhecimentos. E aí me ajeitei com o pessoal da UNEF de Botucatu, que tem a paleontologia e, principalmente a taconomia (porque que um fóssil é fóssil?). A biologia vai analisar um fóssil pelo lado biológico dele, como se alimentava, o aparelho respiratório, etc. A taconomia se preocupa em verificar porque que o fóssil se formou daquela forma, de morte natural, de morte acidental, tudo que é possível para se formar um fóssil.
02 - Aperfeiçoamento
Juntando esse conhecimento a respeito da taconomia, junto com o pessoal da UNEF de paleontoligia, aí vai ter mais pessoas de Londrina, Cascavel, São Paulo e de outros lugares, a gente foi se aperfeiçoando no assunto, e tendo conhecimento e tendo material seria até egoísmo da minha parte eu sentar e
ficar olhando na minha sala tudo colocadinho tudo bonito, só ali.
03 - Primeira exposição
E foi em junho de 2002 que a gente decidiu começar a mostrar e começamos as exposições com os fósseis marinhos devonianos. Foi um baita dum sucesso muito bonito e gostoso, afinal o Brasil não dá muita importância à paleontologia. Canso de ouvir aí que os franceses estão bancando não sei quem prá mexer não sei aonde; os americanos esão bancando não sei quem para mexer prá mexer com não sei o que...
04 - Exposições e incentivo
Então, a nível de Brasil, prá você ter uma idéia, a escarpa devoniana da bacia do Paraná é o afloramenteo mais perfeito do planeta, onde você encontra todas as espécies do devoniano. Tanto que eu encontrei todas e mais seis, que estou batizando ainda... Então por que não a gente dar uma maior importância prá eles? Afinal de contas, os trilobitas por exemplo, são os primeiros grupos de vida do planteta. Achar um dinossauro é fácil, quero ver achar um trilobita! A proporção... tetaculítico, que é
uma coisa minúscula por exemplo, ou uma planta que seja, desse período é muito difícil.
05 - Exposições
E essas exposições que eu fiz foram basicamente nas cidades que envolvem a escarpa.
No sentido de conscientizar, eu cansei de ver o ônibus encostando, o cara destrói os barrancos, pega os pedaços, leva embora, aquilo ali cai sei lá aonde, faz um trabalho de campo (as faculdades) e fica po risso mesmo.
Lugar como Tibagi, por exemplo, é outro afloramento perfeito, assim como Jaguariaiva tem afloramentos muito bons, Ponta Grossa. Tibagi tem um senhor de um museu, coisa mais linda, não tem nenhuma pedra do período devoniano, num museu construído em cima da escarpa devoniana, não é ridículo?
06 - Aposentadoria
A verdade é essa. Me aposentei e parti para esse lado, para levar um pouquinho de informação a mais. Hoje a paleontologia é assunto de televisão, de revistas, a paleontologia é uma coisa que fascina todo mundo, e continua seguindo.
08 - Incentivo
Incentivo, que eu saiba do governo não tem nenhum. As faculdades que fazem um trabalho de campo, mas chega lá acham duas "conchinhas" e fez o trabalho. Daí se forma em biologia conhecendo uma conchinha. Pera um pouquinho: a biologia estuda a vida. Nada mais interessante que você conhecer os fósseis
do s primeiros habitantes, quando começou a vida no planeta. Acho que é muito mais interessante que
um dinossauro, Spilberg faz os filmes dele, ganha oscar, tudo bonitinho. O devoniano não dá para fazer isso, né? Mas pô, é o começo da evolução!
09 - Hipótese devoniana
A gente tem uma hipótese do que seria o mar devoniano, tem muito para aperfeiçoar ainda, ainda tá engatinhando neste assunto, não tem nenhum Spilberg nessse perído. Mas tem a hipótese do mar primitivo. Alguns erros estão tentando corrigir, acertar, porque desse jeito que a gente vai aprendendo. E assim vai. Devagar está indo. Em breve sai uma nova versão da hipótese do mar. HIPÓTESE, né. Diferente do que tá na televisão, aí, da BBC de Londres que fala sobre as feras da pré-história, que para quem conhece paleontologia é brabo, né? É meio mal explicada. É uma coisa que não sei de onde tiraram.
Por isso que a gente fala que nós temos uma hipótese, que seria uma ... que estaria divulgando a hipótese do mar devoniano. Não só eu, mas todos os doutores de paleontologia não admitem uma coisa desse tipo.
10 - Crítica à tv
Aí o que acontece: na televisão a gente mostra uma coisa que não é bem o real, o que foi realmente.
A gente trabalha tudo em cima de hipóteses. Partindo do princípio que a gente está começando aí da a paleontologia, ela ta engatinhando. Não dá pra montar um seriado daquele tipo com toda a certeza do mundo que o bicho fazia isso, que o bicho fazia aquilo. É complicado.
11 - História e escala geológica
Pela escala geológia da vida, a vida no planeta apareceu na terra há mais ou menos há 600 milhões de anos atrás, na forma unicelular. Em 30 milhões de anos começou a predominar os trilobitas, seres com formas, tudo bonitinho.
Eles tinham o corpo dividido em três partes, que pertemcem ao grupo dos artrópodes, na vedade, os trilobitas seriam quase que (que eu intendo) mais ou menos um apelido. Tri porque ele dividia-se em céfalo, tórax e pigídeo ou, se você pegar na lateral também dividido em três partes, tri-lobita. Aí, junto com esses, na evolução, começou a surgir moluscos invertebrados, caracóis, caramujos, estrelas-do-mar, corais, pequenas plantas, conchas de muitas formas diferentes, e aí foi evoluindo. Quando chegou no devoniano, que encerra, com 395 milhões de anos encerra o período devoniano, aí os trilobitas já não existiam mais, já tinham se extinto, já tinha aparecido peixes, vertebrados, anfíbios, as
aves do mar, a terra já começou a parecer algumas plantas, meio rudimentar, mas aperceu algumas plantas e continua a evolução.
12 - Nossa escarpa
No caso da nossa escarpa ela trata até mais ou menos 395 milhões de anos, que encerra com o período
devoniano, e começa no cambriano. E ... nessa região toda em que encontramos os fósseis as mudanças
do planteta, tudo era mar. Jaguariaíva, Arapoti, Tibagi, Ponta Grossa, essa região toda era um braço de mar. As provas estão aí ao vivo e em cores para qualquer um ver, com atestado de autenticidade,
que eu faço questão desse tipo de coisa pra não, quem não vê e que não conhece colocar em dúvida é facil. Só por curiosidade, já chegaram a falar que eu fazia o desenho nas rochas. Grande habilidade!
Que artista que sou eu!
E tem espécies raríssimas, tem trilobitas de todas as espécies, peças totalmente nítidas.
13 - Oportunidade às faculdades
O pessoal de faculdade vem fazer um trabalho de campo, vem em um dia. Não é em um dia que você encontra todos os fósseis. Aí que coloco à disposição o meu acervo. Então eles tem a oportunidade de ver
uma estrela do mar, peças em três dimensões, que é muito difícil, geralmente você ve moldes e contra-moldes. As peças em três dimensões são muito raras eu tenho muitas delas, porque eu achei um afloramento dferente do que consta nos mapas, tenho... não me lembro quantas espécies, todas em três dimensões, são muito lindas, são mostras deste trabalho e também estão à disposição para pesquisa em site, começou dia 26, entrou no ar um site nosso.
14 - Site
Ali tem um pouco, alguma coisa do que nós temos. Só prá fazer vontade. Porque náo dá para colocar tudo também, que eu tenho um acervo completo muito grande. Nós até gostariamos de colocar mas não tem
condições de fazer isso, porque é muito custoso e não temos apoio de ninguém.
15 - Crítica à apoios
Já foi procurado apoio, mas quando fiz isso não se acreditava no que eu tinha feito. Depois de exposições, e depois de participar de feiras de ciências, semana s de cultura, etc., aí começaram a querer fazer alguma coisa. Mas esse alguma coisa que estavam querendo fazer, era só as glórias que eles queriam. Ninguém queria chegar e ajudar. Só que riam "eu te lancei, eu te descobri" ninguém me descobriu. Eu me descobri sosinho. Então hoje eu não sei, não sei se aceitaria apoio. Acho que não é bem o caso, me apoiar.
16 - Acervo mais completo do planeta
Consegui, tenho um acervo muito completo, mais completo do planeta em variedade, não em quantidade,
e apoio sim eu tenho agora a nivel de divulgação. Que além do site, a Brasil Telecom vai estar lançando em março a primeira série dos fósseis. A primeira ná sei de quantas, mas vai depender do que a gente colocar de mateiral em exposição, uma em março, certeza absoluta, outra em abril, também certeza absoluta, peças diferentes. O e o resto a gente vai ver. Voltando ao custo, se for legal a gente vai colocar mais séries.
17 - Preservação
E isso puxa outras coisas. A gente faz um trabalho na intenção preservar uma, que deveria ser um sítio paleonlogico, mas não é, infelizmente, então ealme de conscientizar o pessoal da importância que
tem, do valor que tem, principalmente as crianças.
18 - Outros campos de estudo
Aí começa a envolver mais trabalhos em cima disso, porque a gente acha coisas de arqueologia, coisas mais recentes, chama a atenção, a flora e a fauna, aí você começa a envolver muita coisa ao redor disso nos percursos que a gente faz, começa a achar muita coisa interessante.
19 - Preservação
Agora a gente vai participar de um projeto sobra a água, que a gente vê tudo devastado por aí, tudo
arrebentado. A idéia é juntar outros grupos. Enquanto estou procurando fósseis, por exemplo posso ver uma mina que está secando, posso pedir para o cara ir lá e plantar umas árvores. Se não plantar posso pegar umas crianças na escola, ir lá e plantar. Então começa a embolar tudo, vamos dizer assim.
E o principal de tudo, uma expressão que eu uso é que o passado mais o presente igual ao futuro.
Pois é, a gente estava falando aí de 600 milhões de 560 milhoes de anos atrás para formar um grupo,
algumas espécies. Aí o ser humano, com toda a sua inteligência, em questão de horas destrói tudo. O
passado a gente está estudando, o presente a gente tá vivendo. Vamos imaginar o futuro? É complicado. Meio grave.
A paleontologia vai nesse sentido.
20 - Paleontologia x Arqueologia
A paloentologia se refere à pré-história, a períodos mais longos. Enquanto a arqueologia são coisas
mais recentes. A arqueologia está falando de pinturas rupestres, de 12 mil anos, 14 mil anos, peças
de índios, jarros indígenas, ferramentas indígenas, 900 anos, as pirâmides, civilização inca, Maias, Astecas, isso faz parte da arqueologia. Quando a gente vai procurar fósseis, daí a gente vai falar
da paleontologia, são alguns milhões de anos a mais... o que difere é a idade.
Basicamente até o período holoceno, onde surgiu o homem, qundo ele começou a viver em comunidade é arqueologia. Antes disso é paleontologia. São coisas mais modernas, 12, 14 mil anos. Bem novinha! Bem moderninha, né? Achar uma pintura rupestre, então é uma coisa lindíssima e tem muito aqui na nossa
região.
21 - Projetos para o futuro
A arqueologia aqui da região, Castro, Tibagi, um pedacinho de Jaguariaíva, Piraí, já fizeram um trabalho muito bonito de arqueologia, tem sites, mas não vou saber agora o endereço, foi editado um livro que conta a respeito da arqueologia desta região. E esse ano, se deus quiser, vamos fazer um trabalho em Tomazina, Jaboti, Ibaiti e Wenceslau Braz. E também editar um livro, uma seqüência da mesma forma. Vamos supor "vieram..." contando a história dos índios até ali o mortim de Jaguariaíva. A gente vai pegar de Arapoti prá cá e continuar contando. E tomara que alguém cisme com isso e continue constando daqui pra cima, emendando livros. Daí a gente vai ter bastante informação a respeito da região onde a gente vive.
22 - Wenceslau Braz
Wenceslau: Vim fazer uma exposição aqui em agosto de 2002. Fiquei uma semana em exposição ali na loja da Maçonaria, pela secretaria da informação e brincava-se muito o pessoal comentava muito que aqui era cidade de aposentados, e como meu trabalho de paleontologia lá... completado não tava. Eu ia continuar escavando com certeza, mas não aquela necessidade de diariamente ficar escavando, me aposentei. Deixa eu mudar um pouquinho, né? Acrescentar alguma coisa, quer dizer, me dedicar mais à telecartofilia, né, à arqueologia. Estou aqui há quatro meses.
Realmente confirmado que aqui é a cidade dos aposentados. Bastante tranqüilo, um lugar bastante gostoso e com muitas riquezas naturais, muita coisa prá pesquisar. A nível de geologia, também, bastante coisas interessantes. E com certeza eu vou seguir isso daí.
23 - Formação acadêmica
Eu fiz até enfermagem, mas fiz só um ano. Fiz administração, depois especialização em geografia, geologia e paleontologia e agora começou no Brazil ano passado a Taconomia, que é o suficinte. Não precisa muito. Acho que o mais importante é, que eu comento muito em palestras que eu faço, é a curiosidade, a vontade, a dedicação, não são os livros não, tá. Acho que o trabalho de campo ele ficou extinto. No meu tempo tinha, hoje não se tem mais, mas acho que o mais importante hoje para se aprender é o trabalho de campo. Quando eu começei a respeito dos fósseis, eu vi lá os fósseis, vi imagens dos
fósseis, mas não é o suficiente. Eu tinha que ter contato com os fósseis. Acho que isso é em tudo.
24 - Opinião sobre "estudar"
Esses dias teve uma professora da geografia que, pela primeira vez, pegou um pedaço, um bloco de arenito do devoniano. No livro tá lá, um mapinha xiszinho é uma camada, bolinha outro planalto, cruzinha é outro planalto. E ali, no ao vivo e em cores, como que é? Então você não sabe como você vai ensinar? Todos os educadores deveriam ter esse lado. "Eu estudo geologia e nunca vi um diamante, na mão" cansei de ver isso. Faço geografia e nunca vi uma escarpa devoniana. Só ali nas folhas do livro não é o suficiente. Então é isso que eu tento passar também pro pessoal. Você tem a imagem do que foi te passado (em livros) e tem a imagem real. Então fica uma coisa muito mais perfeita. Principalmente
quando falam do futuro. Que o futuro da gente não é lá dos melhores... Hoje ou você ouve falar muito em arara em extinção, em onça em extinção. A paleontologia acredita que daqui a trinta anos não vai mais falar que está em extinção. Vai estar extinto, mesmo.
Agora, dá tempo? Não sei... se cada um fizer alguma coisa pode ser que recupere. Mas é complicado. É o futuro.
25 - Conscientização e Educação
Que nem eu citei, a gente foi vendo o passado... muito tempo, muito tempo a vida em formação. E ela
é perfeita. E o homem, que todos os seres, tudo se adapta à natureza. O homem é ao contrário: a natureza que tem que se adaptar à ele. Será que tá correto isso? É covardia...
É isso que a gente vai xeretando e tentando passar prás pessoas, essa perguntas, principalmente pros jovens, que tenham um futuro melhor, né.
Hoje nós temos a água ainda, purinha para beber e à vontade, na torneira e tal. Será que daqui a dez anos a gente vai ter isso?
São paulo saiu na tv lá que periga a virar uma cidade fantasma. Uma cidade com dezoito milhoes de habitantes corre o risco de ficar sem água. Como que alguém vai viver num lugar sem água?
Então se hoje a gente consegue abrir a torneira e tem, vamos tentar manter, pelo menos.
26 - Sobre a água
Hoje eu costumo ouvir o pessoal falando "não temos mais água. Está acabando a água do planeta". É errado.Há 4,5 bilhões de anos atrás tinha um volume de água que é exatamente o mesmo de hoje. Só que nós sujamos ela toda, nós acabamos com a água limpa. Na verdade ela tá aí. Ninguém tirou a água daí.
70% do planeta é água. Com esse detalhe: essa chuva que caiu agora há pouco pode ter sido a mesma chuva que caiu há milhões de anos atrás, a mesma água. Ela é exatamente a mesma. Não muda, não diminui nem aumenta: só poluem. Esse é o grande problema. Por isso que dizem qe está acabando a água. O que não tem mais é água limpa. Estão poluindo tudo. São alguns detalhes que as pessoas não percebem, que muitas vezes não entendem.
27 - Arqueologia
Agora, além de paloentologia, estou trabalhando também com a arqueologia. Como eu citei: enquanto você está andando por escarpas procurando a paleontologia você encontra outras coisas, no caso a arqueologia.
28 - Índios
E aí é um assunto muito curioso, a arqueologia aqui na nossa região, principalmente por causa dos índios. Tentar imaginar dentro do que deixaram, dos vestígios, como viviam, o que usavam, os costumes, etc. Eu avistei recente uma tribo em Urtigueira. Tem várias tribos ainda no Paraná. São todas bem civilizadas, nao olham mais para o sol para saberas oras, nao pisam em espinhos... Mas devem ter muitas tribos (no resto do Brasil)a descobrir. Que também tentar construir, passar a versão da gente, o
que a gente vê... principalmente em questão de tecnologia.
Os índios eram muito avançados a nível de tecnologia. Aerodinâmica eles dominavama, térmica, por exemplo. Isso prova o material que a gente encontra. E nao lembro de ter visto isso escrito em livro nenhum... Enquanto a Mclarem, a Williams se matam para fazer um carro de fórmula 1 perfeito em aerodinâmica, aquele rolo todo, o índio, com uma pedra esfregando na outra ele fazia uma aerodinâmica perfeita com as flechas dele. Apontava o alvo e era fatal, nao desviava de jeito nenhum. A térmica, também, uma coisa muito usada hoje em dia eles já dominavam há 900 anos atrás...
29 - Numismática
Fora a arqueologia, por acaso eu tenho uma exposição de paleontologia, numa ante-sala onde um grupo
aguardava a exposição das palestras tinha uma mesa quadrada de vidro com umas dez moedas, tudo da época do Collor, do plano verão, recentes, de 1988, 1990 umas moedas comuns. E a curiosidade que a garotada tinha em cima era fabulosa. Então eu tô preparando, está quase pronto, eu vou contar a história dos 9 dinheiros que teve no Brasil, desde os réis até o real de hoje. Contando porque que foi cortado os zeros, quantos zeros teriam hoje, como eram as notas, os nomes que deram, porque trocou, que
governo que foi, que nome deram para planos, que nada mais é que contar a história da inflação do país. Mostrar isso com notas originais, legítimas, moedas, etc. Então esse também é pra esse ano aqui, a numismática até a metade do ano sai. Já tem cartões telefônicos com os 9 dinheiros do Brasil... tudo para 2004.
30 - Futuro
Eu só programei esse ano. Que é arqueologia, numismática e, claro, continuar com a paleontologia. Tá no ar o site tá a disposição para pesquisa, grupos, quem quiser ver o material da gente ou ir pra escarpas, qualquer coisa desse tipo a gente está a disposição, a gente continua com esse trabalho do
jeito que está desde o começo, só acrescentando, já achei a diversidade toda da monografia e seis espécies novas. Então eu parei um pouco de escavar, diminuí a escavação e esse tempo eu estou preenchendo com a arqueologia e numismática, por enquanto. Aí 2005, 2006, deixa pra mais pra frente, pensar, né?
31 - Idade
Estou com 45 anos e acompanho bem a molecada no mato aí..., estou com as perna boa ainda!É um trabalho de pesquisa, independente de qualquer coisa aí, se admirar, acho que todo mundo devia fazer isso, para valorizar o qe tem, o que sobrou ainda.
32 - Religião x Ciência
E a paleontologia tem muito pra descobrir ainda. Eu, particularmente, não quero saber de jeito nenhum o mistério da vida. Eu simplesmente quero achar as espécies, os grupos, mais ou menos a evolução de tudo, e admirar cada vez mais o deus qe eu acredito. A natureza é fantástica. Deixou tudo ali pra
gente ver, mas nada aí a nivel de descobrir o segredo da vida. Nem tãopouco entrar em conflito com segmentos bastante importantes que é a religião. Que fala da criaçao.
Nós não temos absolutamente nada de atrito com religião, caso da criação, porque a gente estuda a evoluçao, entao a gente procura conciliar esses dois lados que eu acho bem importante também. Aí a gente consegue mais ajuda, como no caso do site que quem colocou no ar foi um evangélico. Ele jamais acredita em evolução. Mas ele acredita no trabalho que eu faço. Então a gente consegue juntar tudo. Nao ter "porque eu faço paleontologia e a pessoa é evangélica ele não vai participar" - não tem nada disso. Assim como eu atendo a religão dele, a gente conversa sobre a religião dele, sobre a paleontologia, temos nossas crenças mas não muda nada.
Sem atrito. 13 cidades, perdi a conta de quantas horas de palestra, mais ou menos umas 30 mil pessoas, nenhum momento nada, absolutamente, nada por estar falando em evolução. Nenhum conflito com criação, nada. Eu acredito que me preparei muito bem para isso. Sabia que era um assuto polêmico então me preparei muito para isso.
Então pelo contrário: já fiz exposições para colégios católicos, aqui em Wenceslau para o Tomás de Aquino, Piraí tem uma outra escola também que é católica, sem problema nenhum. E isso me deixa contente, ter me preparado tão bem para esse tipo de coisa. Ou seja: nao discuto de forma nenhuma.A gente
procura acrescentar à eles informações e procura deles trazer a informação sobre a criação, porque não? Os dois acho que são importante caminhar juntos.
33 - Telecartofilia
Telecartofilia é uma coisa muito interessante. Sempre fui apaixonado pela filatelia. Selos. Desde 76. Começei com a filatelia, muita coisa a respeito do Brasil, e isso insisto: numinsmática só faço do Brasil. Não sou patriota que é uma desgraça, né? Só escavaria num lugar do planeta: o Egito. Senão
só aqui no Brasil. Qualquer lugar no Brasil. Fora o Brasil nunca.
Aí os selos, em 95 começaram a colocar os orelhões com cartão telefônico, novidade, usar pra ver, ne? Aí comprei um cartãozinho, guardei o cartaozinho, outro gruardei, usava muito os cartões, daí percebi que se tratava muito mais que simples cartão pra telefonar. Que ele continha muitas informações. Aí foi quando eu percebi que montava séries, que falava sobre museus do Brasil, centros históricos, parques nacionais. Cada cartão tem um assunto, um tema. E juntando todos eles o que eu percebi, o
que eu tenho hoje em dia, é uma biblioteca. Sobre o Brasil praticamente completa. Me atrevi um dia a comparar com a barsa, tem mais informação sobre o Brasil e tem um detalhe: a Barsa se atualiza a cada 4 anos, os cartões no momento que acontece. Se tem uma coisa no mesmo mês está saindo o cartão. Então eu tenho a informação mais rápida. E são muito precisas as informações. Tem informações fabulosas.
Por isso que, confiando na telecartofilia como cultura é que coloquei meu material para isso. É totalmente confiável. As informações são precisas. E acessíveis por ter um texto pequeno. Foi daí que apareceu um sonho de lançar a série de fósseis marinhos devonianos. Será em março se deus quiser, a gente vai mandar convite a todos que for possível, vai ter o lançamento aqui em Wenceslau, não sei se
já aconteceu isso, se a Brasil Telecom já fez isso em alguma cidade, se a gente vai ser pioneiro, assim como sou pioneiro, sou o único no Brasil que se dedicou a fazer esse tipo de trabalho. Nunca ninguém se habilitou a fazer um trabalho desse tipo. Por que não ser pioneiro em ser a 1 cidade que se
lance uma série de cartões telefônicos. Então isso vai ser um privilégio, vai ser um orgulho.
Ainda em cartofilia, a gente incentiva muito a gurizada.
34 - Projetos de educação
Sobre o resto, eu faço tudo que uma pessoa normal faz, mas dosado, que me dê tempo de leitura. Eu leio bastante. E para a criança e o adolescente o cartão passa a ser uma leitura gostosa de ser feita. Você não precisa ler um livro todo de uma vez só. Você vai lendo aos pedacinhos e absorvendo lentamente, é um hobby, e vai absorvendo a cultura. Lentamente você vai largando hábitos que podem não ser tão bons, e a preocupaçào do cara de 12, 13, 14 anos com drogas, até a prostituição, muita coisa ruim.
Hoje eu tenho o meu barraco, como eu chamo, no momento que você está comigo tem duas aprendendo crochê, tem um lendo cartão telefônico aqui, daqui a pouco aparece um querendo jogar xadrez e assim por
diante. Esse é o passatempo. E o pretexto é a telacartofilia, neste caso. Automaticamente tem a paleontologia que joga informações em cima. E, independente do que falam, que só as grandes cidades tem
cultura. Não. As pequenas cidades como Wenceslau Braz, por exemplo, uma cidade que se mostra extremamente receptiva à cultura. Querem aprender mesmo. Eu prefiro muito mais palestrar, falar em cidades
como Arapoti, Sengés, que são cidades bem pequenas do que cidades grandes. Aqui se tem uma certa sede de cultura, onde eu acho que a secretaria de educação, turismo, cultura deveria voltar a atenção para isso. Temos aqui a paleontologia, geologia, arqueologia, telecartofilia que é praticada no mundo inteiro. Não precisa ser eu, tá? Façam alguma coisa.
Eu converso muito com o pessoal, a educação fica devendo muito. Então colocar alguma coisa a mais. Por mais insignificante, por mais inútil que possa parecer, é cultura e tem que ser feita.
Por isso que a gente poderia parar, me limitar à paleontologia, mas não. Continuo com outros temas,
acrescentar cada vez mais um pouquinho. Por mais que a gente tente estar acrescentando aí é pouco. Sei lá multiplicar por quanto isso para ficar bom, para ser bom.
35 - Xeretólogo e tutor
Quando me perguntam a minha foramação me identifico como "xeretólogo". Acho que é a melhor forma de
aprender. Quando eu falo xeretar é xeretar no campo, pesquisando em campo, aí você vê alguma coisa e vai para a biblioteca, você tem que estar sempre xeretando, entao eu gosto muito do termo xeretólogo, o curioso. Onde você vai adquirindo alguma coisa e repassando, onde sempre tem alguém acompanhando, normalmente em caminhadas, pesquisas, sempre tem grupos junto. Nunca se está só. Um dia vai 2, outro vai 3, então já perdi a conta de quantos. Daí alguém me encontra na rua e pergunta "não foi você que fez uma exposição de fósseis marinhos?" - quer dizer, eles podiam se lembrar de conchinhas, mas eles lembram, quase dois anos depois, como eu sendo a pessoa que fez a exposição de FÓSSEIS MARINHOS. Eu transmiti meu recado. Até crianças pequenas de seus 8, 9, 10 anos. É gratificante. Vale a pena mesmo.
36 - Há quanto tempo
Eu começei há 15 anos a xeretar a geologia, as rochas do Brasil.
O lançamento dos cartões será em março em conjunto com o encontro de telecartofilia (3 dias)
Estamos levantando todos os artesões da cidade.
Também so um artesão. Eu moldo gesso...
A monografia de Clarke é de 1913.